Lula - o filho do Brasil

Lula - o filho do Brasil (2009). Dir: Fábio Barreto. Com Rui Ricardo Reis, Glória Pires, Cléo Pires, Pires e uma xícara (há, que piada engraçada). 130 min.

Quem defende que as intenções por trás de Lula – o filho do Brasil não são as mais nobres, está mirando o lugar errado, ao dizer que o filme tem como propósito ampliar o carisma de Lula em um ano eleitoral, para auxiliar a candidatura de Dilma Houssef a presidência. A natureza verdadeira do filme, porém, é muito mais simples: Lula foi feito para dar dinheiro a seus realizadores, que viram na figura popular do presidente um sucesso potencial de bilheteria.

A biografia de Lula nos cinemas segue a cartilha das histórias pessoais: começa com sua infância pobre em Garanhuns, se muda para a região metropolitana de São Paulo e testemunha a ascensão do metalúrgico à líder do sindicado, sempre com destaque para dona Lindu, a mãe de Lula.


É justamente a intenção de trazer público para o cinema que acaba fazendo mal para o filme, e isso fica evidente logo no cartaz, que traz o rosto de Glória Pires (dona Lindu) com mais destaque do que o de Lula. Sempre que a atriz aparece em cena, destoando dos atores desconhecidos, quebra a ilusão de que a história é real. Por outro lado, o trabalho de Rui Ricardo Dias, que interpreta Lula, é impecável, com direito a voz rouca, língua presa e a caracterização ao longo do tempo, com a barba e os quilos a mais.

Outro problema de Lula é o excesso de acontecimentos: tentando explorar todos os incidentes trágicos da vida do presidente, o roteiro exagera e faz o filme parecer mais longo do que é de verdade. Além disso, falta uma costura melhor entre as partes, o velho causa-e-consequência: a história só engrena mesmo quando mostra a vida adulta de Lula, o que faz a infância sofrida em Garanhus e os problemas com o pai alcoólatra parecerem cenas de outro filme. O uso de imagens de arquivo, mescladas com as cenas, também não funciona muito bem, já que a diferença de fotografia denuncia o truque.

Problemas a parte, o filme vai bem na hora de construir a imagem de Lula como líder sindical independente de filiação ideológica, que relutava em se associar ao sindicato com medo de perder seu emprego. No meio da enxurrada de cenas feitas para emocionar, apenas algumas dão certo, como o momento em que o Lula adolescente suja o macacão de graxa para dar orgulho a mãe. Por outro lado, a cena final desperdiça um paralelo interessante, ao preferir não usar imagens verdadeiras de Lula assumindo a presidência.

Sem estrela do PT ou companheira Dilma, Lula – o filho do Brasil é um caso curioso de filme bajulador feito para gerar dinheiro para seus realizadores, e não para agradar seu protagonista. O que Fábio Barreto faz é abraçar o cinema comercial sem nenhuma culpa, e se daqui oito anos, alguém fizer algo do tipo “Serra – o outro filho do Brasil”, será com as mesmas intenções.



5 comentários:

Nathy disse...

Tá aí um filme que não assisto...rs

Pequenas idéias disse...

bem interessante sua análise.Ainda não vi o filme,portanto não sei o que pensar. Confesso que tenho uma inclinação a cair primeiramente na armadilha do sentimentalismo , assim como caí no filme "Dois filhos de Francisco", por tratar-se de um retrato do Brasil.

Pequenas idéias disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anônimo disse...

recomendação: where the wild things are.

João Guilherme disse...

Pois é...

mas o q eu tenho ouvido falar é que o filme está sendo um verdadeiro fracasso de bilheteria, não?