Os Fantasmas de Scrooge

A Christmas's Carol (2009). Dir: Rober Zemeckis. Com Jim Carrey, Gary Oldman, Colin Firth. 96 min.

Vamos começar essa crítica de uma forma bastante direta: eu acho uma bela porcaria essa tecnologia de captura de movimento dos atores para acréscimo de efeitos especiais depois. Filmes realizados completamente em computação – como os da Pixar – funcionam por que investem em caricaturas para retratar os seres humanos, sem a pretensão de fabricar uma pessoa de carne e osso, porque, raios, já existem pessoas de carne e osso.

Na década de 80, Robert Zemeckis – diretor deste filme – fez De volta para o futuro, o melhor filme de aventura que eu já assisti na minha vida. Nos anos 90, ele fez um dos itens sagrados da lista de dez filmes de muita gente, Forrest Gump. Pena que nessa década, ele tenha resolvido investir no desenvolvimento da captura de movimentos, criando o chato Expresso Polar, o mais chato ainda Beowulf e este Os fantasmas de Scrooge, que, adivinhem, também é muito chato.



Na trama, Ebenezer Scrooge é um velho muito mau-humorado, que detesta Natal, detesta bondade, detesta todo mundo. Numa bela véspera de Natal, ele é visitado pelo fantasma de seu antigo sócio, que o avisa sobre seu futuro terrível, e anuncia a vinda de três fantasmas ainda naquela noite, o do passado, o do presente e o do futuro. É o Conto de Natal do Charles Dickens sem tirar nem por.

Os fantasmas de Scrooge é feito para trabalhar a captura de movimentos e, mesmo que eu não goste, acho que essa técnica oferece algumas coisas legais, como tomadas de câmera menos comuns e, na dose certa, uma caracterização de personagens bastante rica. O Ebenezer Scrooge montado sobre Jim Carrey, por exemplo, impressiona pela magreza e os detalhes no rosto, que exigiriam um trabalho de maquiagem bem complicado. Por outro lado, fica claro que ainda existe muito caminho para andar: os olhos dos personagens continuam esquisitos e, às vezes, fica a impressão de que só tomaram cuidado com os personagens principais, deixando os secundários com cara de borracha.

E de que serve essa parafernália toda em Os fantasmas de Scrooge? Para nada. O filme até começa muito bem, adotando um tom sombrio e áspero para a dureza do comportamento de Scrooge, mas é só surgirem os fantasmas em cena que a coisa desanda completamente, não apenas porque a transformação de Scrooge numa pessoa bondosa é artificial, mas também porque metade das cenas se resume a vôos pelos céus da Inglaterra ou fugas sem sentido de Scrooge. Isso sem contar o quanto os fantasmas são irritantes.

Quando aposta em cenas mais pesadas, fazendo bom uso da tecnologia, o filme até fica bastante interessante. O problema é que, entre uma cena e outra dessa, há uma porção de viagens com a câmera e a presença de 25 personagens interpretados pelo Jim Carrey – outra incrível vantagem – o que torna Os Fantasmas de Scrooge um grande vídeo de demonstração de 90 minutos.



Um comentário:

Thiago Augusto Corrêa disse...

E, sejamos francos, para um ator que ja encarou maquiagem verde e conseguiu se expressar, pra mim ele tirava de letra um Scrooge em um filme normal e bem maquiado.

Robert Zemeckis precisa urgente parar com essa captura de movimento e voltar a fazer filme como o bom diretor que é.