Avatar

Avatar (2009). Dir: James Cameron. Com Sam Worthington, Sigourney Weaver, Zoe Saldanda, Stephan Lang e um monte de pessoas azuis. 162min.

Quando Matrix estreou em 1999, dava para sentir os limites dos efeitos especiais do cinema serem redefinidos. Quatro anos mais tarde, com as duas continuações, isso aconteceu outra vez, só que para pior. Reloaded e Revolutions marcaram o fim de uma época em que os efeitos eram criados em estúdio, com muita imaginação dos realizadores, para o uso direto de computadores, que no máximo conseguiam criar personagens humanos que lembravam bonecos Falcon. Com Avatar, em 2009, dá para acreditar outra vez que o que estamos vendo na tela é de verdade.

Na trama – que o seu Cameron precisou de dez anos e 400 milhões de dólares para terminar – os humanos estão tentando retirar um minério precioso do planeta Pandora, onde vive uma raça de pessoas azuis e compridas chamada Na’vi. Para facilitar o processo, são criados os avatares, corpos idênticos aos dos Na’vi, mas comandados por humanos, para conhecer melhor os nativos e descobrir suas fraquezas.

Como os trailers de Avatar não empolgavam muito, durante o ano inteiro os defensores do filme ficavam repetindo que ele foi feito para a projeção 3D. Como nenhuma das duas cidades onde eu moro tem uma sala dessas ainda, assisti no jeito tradicional mesmo, e a boa notícia é que, mesmo assim, o filme é visualmente impecável. Cada um dos Na’vi tem uma aparência distinta, e as expressões faciais, algo que nunca ficava bom o bastante, atinge o ponto certo dessa vez, enquanto a vegetação de Pandora é tão cheia de detalhes que dá para simplesmente esquecer que nada daquilo existe. As cenas de ação estão caprichadas, sempre em planos abertos que não ficam sendo cortados a cada meio segundo, permitindo que se entenda o que está acontecendo.

Por outro lado, a trama de Avatar não é lá grandes coisas, e sofre por ser previsível desde a primeira cena em que o personagem do Sam Worthington usa seu avatar. O filme usa todos os clichês do general malvadão que não se importa com nada, o amor impossível, revelações que levam a separações, união das pessoas em momentos de dificuldade, personagens que morrem quando não são mais necessários, bla bla bla. E, se por um lado, Cameron teve um cuidado enorme detalhando a cultura dos Na’vi, por outro, o que os seres humanos estão fazendo ali é uma coisa sem a menor explicação: de relance, alguém diz que a Terra está devastada, o que não ajuda em nada a entender porque querem a tanto custo o tal minério embaixo da aldeia dos Na’vi.

Quase todas as críticas sobre o filme que eu li ficaram exaltando os recursos técnicos de Avatar e dizendo que o roteiro comum era algo para não se dar tanta atenção. A parte técnica é mesmo sensacional – a Na’vi interpretada pela Zoe Saldana consegue ser mais expressiva do que uma atriz de verdade – e provavelmente a experiência de assistir em 3D deve ser mesmo uma coisa fora de série. Mas, retomando a comparação do começo, enquanto Matrix inovou o cinema e, no meio das balas desviadas, misturou religião com tecnologia de um jeito que surpreendeu tanto quanto os efeitos, Avatar, por debaixo da sua imagem, é um filme quase comum. Acho que daqui dez anos, nós vamos lembrar dele mais pelas portas que abriu do que pelo filme que é.




2 comentários:

Bárbara disse...

Já disse e não me canso de repetir: adoro ler as suas críticas cinematográficas. :)

Pura verdade, saí do cinema com a sensação de que já ouvi aquela história antes. Mas, apesar de todos os clichês, não deixa de ser um bom filme. Ainda pretendo vê-lo em 3D. :D

Um abraço!

Samantha F. disse...

Já saí do cinema pensando em procurar seu blog p ver o q vc tinha falado sobre o filme... na verdade, sempre q eu gosto de um filme td mundo odeia!rs Esse eu adorei e nem sei explicar pq! e eu só reparei q ninguém explica a situação da Terra direito depois q vi seu comentário sobre isso! Eu acho q ele conseguiu ganhar o público aos poucos... eu vi o trailer e imaginei q esse seria um daqueles filme q um mte de gente comenta e q eu ñ tenho vontade de assistir (vide crepúsculo). Fui no cinema só pq tava c uma galerinha legal q decidiu ir... e no começo do filme eu tinha ctz q ia detestar! ñ sou mt fã de humanos distorcidos por computador em filmes (vide rodringo santoro em 300)... mas no fim eu tava tão empolgada c a história q saí de lá querendo unir as ptas dos meus cabelos c alguém!rs
Tb quero ver em 3D, mas né, foi até milagre esse filme ter chegado tão cedo em Araraq, ñ podemos exigir mt!rs
Bjão, parabéns pelo blog!!!