Lua nova

The Twilight Saga: New moon (2009). Dir: Chris Weitz. Com Kristen "a sofrida Stewart, Robert "Dado Dolabela americano" Pattinson, Taylor Lautner (o Incrível Hulk). 130 minutos que custam para passar.

Em tese, não é difícil escrever uma história: a narrativa começa com os personagens de um jeito, eles passam por várias situações e, no final, eles estão de outro jeito – e é nesse sentido que Lua Nova, o segundo filme da saga Crepúsculo, consegue a proeza de ser um exemplo raro de filme de duas horas em que não acontece nada.

Para resumir a história: depois do primeiro filme, quando Bella se apaixonou por um vampiro que brilhava no sol e atuava mal, ela e seu namoradinho vivem felizes até o dia em que o branquelo resolve, por alguma frescura, dar um pé na bunda dela. Na ausência dele, Bella resolve se envolver com um nativo-americano até descobrir que ele era um lobisomem – e isso leva mais ou menos uma hora de filme. No final, depois de mais de uma porção de coisas sem relevância, ela volta com o vampiro, sendo que nenhum dos problemas do começo do filme é resolvido. Fim.


Lua Nova continua tão arrastado quanto Crepúsculo, com cenas e mais cenas de Bella refletindo sobre seus sentimentos – tudo no mesmo tom de conservadorismo e castidade de antes. A boa notícia é que Robbert Pattinson aparece bem pouco neste filme, nos privando de sua boca torta e de seu olhar de quem está com uma lanterna apontada para a cara. Em compensação, temos agora a presença de um clã de lobisomens – e eu espero mesmo que Marvel tasque um processo em cima da Stephenie Meyer por copiar tão descaradamente o Hulk: depois de ignorar a mitologia existente sobre vampiros, agora ela passa por cima desse negócio de lua cheia e resolve que as pessoas viram lobisomens quando estão com raiva! Para melhorar, os lobisomens ficam o tempo inteiro sem camisa – por causa do calor (hahaha) – mas todos de bermuda jeans e tênis kichute.

Lua Nova – assim como Crepúsculo – gira o tempo todo ao redor de conversas de surdos que os protagonistas mantêm uns com os outros. Como ninguém nunca diz nada realmente relevante, Bella apenas fica olhando para a cara de seus amados, para que vinte minutos depois ela tenha um insight e descubra alguma coisa. A burrice parece ser uma coisa contagiosa em Lua Nova, onde os vampiros podem ler mentes e causar dor e o diabo, mas conseguem ser enganados por uma ligação telefônica. Chega a ser ridículo como o roteiro vai tirando elementos do bolso para poder fazer a trama ir a algum lugar – sendo que a única cena minimamente promissora do filme, a presença do clã dos Volturi, se mostra depois como outro exemplo de…nada!

Depois de dois filmes, para mim parece claro porque Crepúsculo faz tanto sucesso com as menininhas: é uma história melosa de amor contada com outra roupagem (vampiros, lobisomens, ets de varginha etc). Acontece que ele é ruim nos dois sentidos: a história de amor é absolutamente superficial e batida, enquanto o elemento de fantasia é usado sem o menor critério, apenas para ceninhas bestas do tipo “mas ó, eu posso querer seu sangue” ou “mas ó, eu posso te arranhar” ou então “mas ó, eu posso furar seu olho com meu chifre” (para o caso do próximo par de Bella ser um unicórnio). É como assistir Malhação com os efeitos dos Mutantes da Record.

Lua Nova, assim como Crepúsculo, é chato, arrastado, incoerente, lotado de personagens irritantes e, acima de tudo, vazio. Para gostar dele, só mesmo se encaixando em uma dessas características.



Um comentário:

Stella disse...

Bravo!
Não assiti o filme, mas nem precisa depois desse texto.
Parabens Vini, continua mandando bem como sempre.