Crácicos do Cinema #6 - Independence Day

Independence Day (1996). Dir: Rolland Emmerich. Com Will Smith, Jeff Goldblum, Bill Pulmann e vários extra-terrestres bem pouco explicados. 145 min.

Durante uma fase da minha vida, eu fui aficionado por filmes de ficção científico com naves espaciais e catástrofes na Terra e invasões de alienígenas. Um dos meus preferidos era Impacto Profundo, aquele em que um meteoro vai acertar a Terra, aí dão um jeito de só um pedaço colidir e fazer uma onda gigante, que você consegue ver quase toda no trailer.

De todos os que eu assisti, três são meus preferidos: Armageddon, Tropas Estelares e Independence Day. Espero um dia poder resenhar os outros dois aqui, mas hoje é dia de falar sobre como Will Smith dá um jeito de expulsar os ets do planeta.

Na trama super profunda, uns ets muito muito malvados vem para Terra, destroem uns prédios importantes, levam dois dias inteiros para organizar outro ataque e, nesse meio tempo, dão espaço para o personagem do Jeff Goldblum roubar descaradamente uma idéia do Guerra dos Mundos do H.G.Wells e botar todos eles para correr.



Independence Day é escrito e dirigido por Roland Emmerich, o cara que se especializou em fazer filmes onde a Terra é acometida por uma tremenda desgraça e pessoas comuns, como eu e você, precisamos fazer alguma coisa para impedir tudo de lascar de vez. Também são dele a versão americanizada de Godzilla, o chatíssimo O dia depois de amanhã (vinte minutos de destruição e 1h e 30 de “oh, meu Deus, meu filho ficou preso na neve!”) e o recente 2012, que provavelmente segue esse caminho.

Falando de uma maneira direta, Independence Day é uma porcaria de filme maniqueísta, cheio de furos de roteiro e defensor dos americanos – e são exatamente estas as características que fazem com ele seja divertido. Verdade seja dita que Emmerich se esforça em fazer um filme sério, pelo menos na primeira parte (July 2), mostrando a invasão dos ets aos poucos e mantendo o clima, mas a coisa toda vai se tornando imbecil a medida que os ets progridem com o plano e, fundamental, o presidente abre a boca.

Há três núcleos de personagens, e dois deles são mesmo muito legais: Jeff Goldblum faz o nerd esquisito que tem a sacada genial que salva todo mundo (e recupera a mulher e volta a ser amigo do pai), enquanto Will Smith (que ainda não era esse astro todo de hoje) é o piloto motherfucker que arrebenta um ET na porrada. O problema mesmo é o presidente vivido pelo Bill Pulmann: além de estar a cara do Jim Carrey (o que já desabilita para qualquer cargo), ele é um exemplo de incompetência, porque: (1) nenhuma decisão certa do filme é tomada por ele; (2) ele aprova todas as decisões erradas que alguém propõe (3) ele é um cagão que tenta negociar paz com os ets e(4) ele diz coisas sábias como “muitas vidas se perderam hoje, e nem todas eram necessárias” ou, vendo um et no vidro, “é uma forma de vida orgânica”.

Mas como eu disse, o filme vai se tornando proporcionalmente estúpido conforme chega perto do fim, e eu nem preciso lembrar ninguém daquele discurso ridículo do (quem mais?) presidente sobre como o dia 4 de Julho ficará marcado pela independência da Terra. A piada maior mesmo é o plano de infecção da nave-mãe, que consiste em entrar nela disfarçado com uma nave alienígena, passar o vírus e, acima de tudo, escurecer o vidro da nave para os ets não perceberem que ali dentro existem dois seres humanos. O pior é que os ets caem nessa!

Sem abusar de efeitos especiais e se focar em excesso em personagens secundários chatos (o que Emmerich fez nos seus filmes seguintes) Independence Day faz a lição de casa dos filmes sem cérebro muito bem, obrigado.

ps: alguém precisa avisar o pessoal da Fox que “raposa” se escreve com S – e outras bobagens na legenda.

Um comentário:

Thiago Augusto Corrêa disse...

Independence Day foi um dos primeiros dvds da Fox aqui no Brasil.

Era uma coleção de erros grotescos na legenda. Estilão Babelfish de traduzir.

O menu desse tem o Jogar em vez do Play?

Mas dentre as destruições do R.E. O Independence Day é o melhor. O Will Smith chutando o Alien, no estilo negro do Bronx é o melhor.