2012

2012 (2009) Dir: Rolland Emmerich. Com John Cusack, Amanda Peet, Danny Glover, Woody Harrison, terremotos, maremotos, vulcões e o que mais você puder imaginar. 153 min.

Algum de vocês já teve a oportunidade de ler narrativas de ficção feitas por crianças? É um negócio realmente muito legal: elas geralmente pegam uns elementos das histórias que mais gostam e misturam tudo, sem a menor preocupação com coerência ou sentido. Começo meu texto sobre 2012 falando disso porque foi justamente essa a impressão que eu tive quando terminei de assistir a nova tentativa do Roland Emmerich de destruir o mundo.

Na trama, há um aumento da intensidade das explosões solares, que faz com que neutrinos no centro da Terra comecem a se mexer mais rápido, e, por conseqüência, aceleram o movimento das placas tectônicas, e aí começa a acontecer um terremoto atrás do outro, depois erupções vulcânicas e tsunamis e aí o mundo acaba. Respondam para mim se isso não é a cara de um texto de aluno de quarta série!



2012 é um filme tão cheio de furos de roteiro, incoerência e forçadas de barra que, depois de meia hora, eu comecei a rir alto no cinema para todas as informações que os personagens davam – e aí o filme entra para aquela categoria do ruim-que-diverte. Pataquadas de calendário maia e neutrinos a parte, as cenas de destruição pelos terremotos são de encher os olhos de bem feitas, além, claro, do humor do absurdo nas catástrofes. Para vocês terem uma idéia: a Casa Branca é coberta pela nuvem de poeira de um vulcão; em seguida, começa a ser invadida por uma onda gigante que – acreditem! – arrasta um porta-aviões que desaba sobre o lugar!!!

Mas é claro que 2012 não podia ter apenas 2h30 de coisas sendo destruídas – e aí Emmerich inclui núcleos de personagens que tem conflitos a resolver e blá-blá-blá-faça-as-pazes-com-quem-você-ama-antes-que-a-onda-gigante-engula-nós-todos. Felizmente, essa parte está bem menos chata do que sua irmã gêmea em O Dia depois de amanhã, e apesar de ser esquemática até o talo (cachorros nunca morrem, ao contrário de personagens que ficam no caminho dos outros), não achei que ela prejudica o filme tanto assim.

Chato mesmo só o ato final, quando a família do John Cusack – que é o ímã de desgraças do filme – tenta dar um jeito de entrar na arca que irá salvar uma meia-dúzia de pessoas e acaba ferrando com tudo, em mais de 30 minutos de cenas que não resistem a uma análise mais cuidadosa de roteiro.

Fim das contas, 2012 é um filme horrível que começa a funcionar a partir do momento em que você se dá conta disso e pensa “já paguei meu ingresso mesmo, vou me divertir de qualquer jeito”.

ps: não se deixem iludir pelo cartaz do Cristo Redentor sendo destruído. Essa é uma cena que dura 5seg no filme e ainda conta com uma narração ridícula em português, com o repórter dizendo “ah não, está ruindo a Estátua do Cristo”.



Um comentário:

Thiago Augusto Corrêa disse...

É impossível dar três pra esse filme.

Não está na média nem a pau.

É ruim que doi.