A verdade nua e crua

The ugly truth (2009) dir: Robert Luketic. Com Katherine Heigl e Gerard Butler; os coadjuvantes não têm importância. 96min.

Ao lado dos filmes de terror com psicopatas que perseguem adolescentes, a comédia romântica é o gênero com as regras mais fixas e sagradas de todo o cinema: você tem uma mocinha e um mocinho, que se detestam logo de cara; depois, eles são obrigados a ficar lado a lado por alguma obrigação, até o momento em que se apaixonam, brigam por alguma questão besta de orgulho e, no final, ficam juntos.

Boas comédias românticas, então, não são aquelas que revolucionam o gênero, mas as que conseguem trabalhar bem com os seus elementos. Em A verdade nua e crua, a mocinha é a graça da Katherine Heigl, uma produtora neurótica de um programa de variedades matinal, enquanto Gerard Leônidas Butler é um sujeito xucro que comanda um programa na tv a cabo chamado “A verdade nua e crua”, onde ele diariamente massacra as frescuras da relação homem-mulher. Por causa da audiência baixa do programa, Lêonias vai trabalhar para a tia do Gray’s Anatomy. E no fim eles ficam juntos, há!



Já que o final é mais previsível que mulher com raiva do namorado em balada, fica a pergunta: A verdade nua e crua entrega o que promete? De um modo direto, sim! Depois que os personagens são apresentados, o que se espera é o embate entre a grosseria do mocinho versus a vida regrada da mocinha, e aí Gerard Butler coloca o filme no bolso, desfilando uma porção de frases impagáveis sobre como, no fundo no fundo, os relacionamentos são todos motivados pela vontade do homem em fazer sexo – e que esse negócio de cara sensível é só uma estratégia para levar mulher para cama.

Do ponto de vista da narrativa, porém, A verdade nua e crua é razoavelmente simples, procurando juntar várias cenas cômicas por um fiapo de roteiro, que no fundo não faz mesmo muita diferença. A união do casal, aliás, com um pouquinho de atenção, não tem muito sentido: o que um sujeito brucutu veria em uma moça cheia de não-me-toques? E o contrário? A cena final, quando ele diz “estou apaixonado por você e não sei porque” pode tanto soar como um exemplo de como o amor é inexplicável ou também como “estou apaixonado por você porque estamos em uma comédia romântica, oras”.

Eu não acho que a gente deva exigir muito do gênero comédia romântica, que foi inventado para levar a namorada ao cinema – ou a candidata à namorada – e fazer você rir um pouquinho e sair satisfeito. Nesse quesito, A verdade nua e crua vale pelo talento de Gerard Butler – e é o bastante.


Um comentário:

smfantini disse...

E q talento hein... hahahaha... tá, confesso q eu tava louca p assistir, adoro uma comédia romântica despretenciosa! #prontofalei
Mas um filme q tem a fofa da Kathy e o gostosão do Butler já é imperdível só por eles! rs
E... p falar a verdade eu nem ia comentar nada... pq realmente nem tem o q comentar!!! É entretenimento puro e simples!rs