HORNBY, Nick. Slam

(Slam, 2007, Editora Rocco, 273 páginas, preço médio de R$33,00)

Talvez os romances que eu ainda não li desmintam isso, mas, pelo menos por enquanto, Nick Hornby é o autor das obsessões. Em Alta Fidelidade, Rob Gordon é um sujeito que vive para a música e o cinema, julgando as pessoas não pelo o que elas fazem, mas pelo o que elas gostam. Em Febre de Bola, Hornby explora a própria loucura pelo futebol, capaz de fazê-lo deixar a namorada desmaiada de lado enquanto o Arsenal atacava. Em Slam, o protagonista Sam é obcecado pela própria imaturidade, mesmo sem perceber isso muito bem.

Na história, narrada por Sam, ele está com 16 anos, passa seu dia andando de skate, conversa com um pôster do Tony Hawk na parede do seu quarto e mantém uma relação razoavelmente conflituosa com a mãe, que ficou grávida dele justamente quando tinha 16 anos. Um dia, Sam conhece Alicia, uma garota da mesma idade; os dois iniciam um namoro intenso, se separam meses depois e tudo parece voltar ao normal, até a notícia de que Alicia está grávida.

A característica que eu mais admiro nos livros do Hornby é a capacidade que ele tem em, adotando a primeira pessoa na narrativa, fazer acreditar que é mesmo o personagem falando, e não o autor Nick Hornby falando através dele. Enquanto em Alta Fidelidade, o protagonista Rob Gordon narra a história cheio de referências e metáforas sobre música, Sam, com seus 16 anos e uma cultura que não vai muito longe, é simples e quase repetitivo no seu texto, parecendo sempre um moleque se esforçando para contar uma história – o que, afinal de contas, é mesmo sua posição dentro do livro.

Mas a diversão de Slam está mesmo em como não apenas Sam é imaturo, mas também todos os outros personagens, desde Alicia, passando pela mãe de Sam e, especialmente, seu pai. Por causa disso, a gravidez de Alicia cai como uma bomba na vida de todos, que preferiam realmente que aquilo não tivesse acontecido. Fazendo pouco caso de qualquer idealização, a relação entre Sam e o filho que está para nascer é de total desconforto: ele não sabe como lidar com tudo isso, muito menos o que esperar, então fica calado boa parte do tempo. O parto de Alicia, descrito por ele, vai na contramão da emoção, e deixa bem claro como aquele evento é somente algo muito esquisito acontecendo na vida.

Com direito a brincadeiras narrativas sobre viagens no tempo (além de um pôster de Tony Hawk que responde as perguntas de Sam), Slam não chega a ser brilhante como Alta Fidelidade ou Febre de Bola, mas isso é culpa da fragilidade de seu protagonista em contar a própria história – o que é uma outra forma de dizer que Nick Hornby conseguiu criar outro tipo que ganha vida com perfeição nas páginas do livro.

Um comentário:

Bárbara disse...

Ah, tô louca pra ler esse livro!
Depois dessa crítica, então, com certeza ele vai fazer parte das minhas compras do mês! x)
Só li "Alta Fidelidade" do Nick, mas pelo que já ouvi falar dele, uma coisa que você disse é bem certa: "Nick Hornby é o autor das obsessões". ;)
Adoro seu blog! Abraço! ;*