O sequestro do metrô 123

The taking of Pilham 123 (2009). Dir: Tony Scott. Com Denzel Washington, John Travolta, John Torturro, Luiz Gusman. 121min.

Criar um filme cujo centro é o embate entre dois personagens precisa, óbvio, de dois personagens muito bem construídos e interessantes. Se um deles não for tão bom assim, então se acaba estragando não só a proposta do filme como enfraquecendo a personagem bem feita, e aí vai tudo para o ralo. É exatamente este o problema de O seqüestro do metrô.

Na história, John Travolta seqüestra um metrô lotado em Nova York e exige dez milhões de dólares em uma hora para liberar os reféns, senão vai começar a matar um por um. Por mero acaso, ele começa a negociação com o operador de tráfego vivido por Denzel Washington, um sujeito comum que foi rebaixado de cargo devido a suspeita de envolvimento em suborno.



O personagem bem construído é o de Denzel Washington: Garber é um cara absolutamente comum, que toma decisões que nós provavelmente tomaríamos no lugar dele, tentando ser ponderado e se envolvendo na negociação a medida que percebe que pode ser importante, mas deixando claro, do começo ao final do filme, que ele não quer ser o herói do dia.

Já Ryder, o personagem de John Travolta, é o problema: em nenhum momento suas motivações para o seqüestro ficam claras e, quando são revelados no final, a sensação é de frustração. Ele não faz o tipo “bandido sanguinário” e, quando fica elogiando o caráter de Garber, parece tentar erguer a bandeira de “olha como nós somos trabalhadores exploradores”, mas isso não é muito consistente.

Além disso, a montagem de Seqüestro do Metrô não entrega o que promete: assim que o seqüestrador impõe suas exigências, começam a aparecer indicações de quanto tempo falta para acabar o prazo – mas isso não dá em absolutamente nada depois. Por fim, a filmagem das cenas de ação é irritante.

Com direito a um final bem sem graça, Seqüestro do Metrô podia ter sido um filme mais interessante.

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