Distrito 9

District 9 (2009). Dir: Neil Blomkamp. Com Sharlto Cople e uma porção de ets feitos no computador sobre o patrocínio de Peter Hobbit Jackson. 112min.

Todo mundo parece concordar com a afirmação de que Distrito 9 é uma grande metáfora sobre o apartheid da África do Sul – e não sou eu quem vou desmentir. O que eu achei interessante mesmo é como conseguiram misturar isso com uma ficção científica muito bem trabalhada e cenas de ação de arrebentar.

Na trama, a África do Sul começa a servir de abrigo para uma raça alienígena (chamados de “camarões”) quando a nave deles tem um problema. Os ets são inicialmente isolados numa área chamada de Distrito Nove, que em pouco tempo se torna uma enorme favela. 20 anos depois, o órgão mundial responsável pela manutenção dos ets na Terra, chefiado por Wikus van der Merse, inicia uma operação de deslocamento para outra área, até que acontece uma coisa realmente complicada.



A primeira metade do filme é feita como se fosse um documentário, com especialistas relatando pequenos detalhes dos acontecimentos, ao mesmo tempo em que vemos o trabalho de Wilkus – um sujeito cagão até o osso – tentando fazer os camarões assinarem a ordem de despejo. Essa parte, apesar de irritar um pouco com os movimentos de câmera, é crucial para fazer sentir que aquilo está mesmo acontecendo: ficamos incomodados com as figuras dos extraterrestres e mais ainda com o tratamento degradante que os humanos da missão dão a eles.

É nessa parte que o personagem de Wilkus se mostra bem complexo: ao mesmo tempo em que ele é o cara responsável por dar um tratamento digno aos ets, não deixa de se sentir enojado diante deles – e, nas situações limites que acontecem mais para frente, fica claro que o preconceito dele era tão grande quanto o de todos os outros.

Já a segunda metade do filme deixa o documentário meio de lado e se concentra em cenas de ação que compartilham da xucrice de um filme cult também sobre ets, Tropas Estelares. Os efeitos são de cair o queixo, mas por outro lado fica tudo muito previsível, com aquelas reviravoltas tradicionais de filmes-com-dois-personagens-que-se-detestam.

No fim das contas, a trama simbólica sobre racismo precisa ser vista mais como um elemento em Distrito 9, que, no final das contas, é – apesar de suas coisas convencionais – ficção científica da melhor qualidade.

Um comentário:

lunática disse...

Esse filme é ótimo... e os aliens são meio que A CARA do Zorak!!!