Crácicos do Cinema #4 - Lua de Cristal

Lua de Cristal (1990) Dir: Tisuka Yamasaki. Com Xuxa, Sérgio Mallandro, Julia Lemmertz, as paquitas e os paquitos. 95 minutos que cabem certinho na Sessão da Tarde.

O critério que eu utilizo para resenhar os títulos da Crácicos do Cinema é se o filme faz jus a reputação que ele adquiriu durante o tempo. Se você perguntar a uma pessoa de bem se ela se lembra de Lua de Cristal, vai ouvir como resposta “claro que vi, é aquele lixo de filme com a Xuxa e o Sérgio Mallandro”. Por essa razão que eu digo que Lua de Cristal é um clássico por direito: quase 20 anos depois e ele continua sendo aquele lixo de filme com a Xuxa e o Sérgio Mallandro.

Na trama, Maria da Graça (Xuxa) vai para a cidade grande para estudar música e é obrigada a ficar na casa de sua tia malvada, sofrendo nas mãos de sua prima malvada (Julia Lemmertz) e tentando não ser comida pelo seu primo malvado (sei lá quem). Um dia, ela conhece Bob (Sérgio Mallandro! Há!), arruma um emprego na lanchonete, consegue uma vaga na escola e no final canta Lua de Cristal com as paquitas vestidas de fada.


Na tentativa de construir uma espécie de Cinderella urbano, o filme até que não se sai de todo mal. A casa da tia da Xuxa é um ambiente degradante, enquanto as ruas são mostradas sempre cheias de lixo e vazias, tudo com uma fotografia azulada para ressaltar a opressão do lugar. Mas é óbvio que esse mínimo de qualidade técnica precisava ter uma contrapartida, e aí Lua de Cristal não deixa por menos, trazendo erros de continuidade só encontráveis em filmes amadores de trabalho de escola: numa cena, Xuxa marca um encontro as dez da noite com o namorado e, quando ele chega, o dia está claro como se fossem 4 da tarde. Ou ninguém achou que isso era importante, ou o filme foi rodado na Finlândia e não nos contaram.

O roteiro contempla várias bizarrices, como quando Xuxa perde a matrícula na escola de canto para, dias depois, se matricular na mesma escola, sem nenhum problema, desde que ela faça um teste. Aliás, uma escola que aceitou todas as paquitas como alunas não tem direito de negar a Xuxa. No miolo do filme, ainda dá tempo para o realismo fantástico de uma planta mutante que dá frutos para Xuxa comer e, no final, uma cena totalmente absurda em que o Sérgio Mallandro entra num túnel em uma moto e sai dele vestido de príncipe num cavalo branco.

As atuações são o ponto alto da ruindade: Julia Lemmertz parece ter fugido da figuração do Blade Runner; Duda Little precisa urgentemente ter todas as suas falas cortadas do filme; Sérgio Mallandro veio com a roupa do corpo e começou a gravar, me levando a ter vontades incontroláveis de acertar a tela. As paquitas, com direito a Letícia Spiller, tem uma fala cada uma, e todas são ditas sem o menor talento. E, besta dizer, Xuxa é o grande destaque. Sempre que a câmera não está fixada nela, suas frases saem todas com a mesma entonação, independente do conteúdo. Pelo menos ela ainda era ajeitada naquela época.

É só uma pena, contudo, que a metade final de Lua de Cristal não consiga ser ruim e divertida como a primeira, sendo apenas um trecho maçante de desenvolvimento de roteiro. Pelo menos o número final com a canção Lua de Cristal não decepciona: é de uma cafonice histórica ver Xuxa e as Paquitas vestidas de fadinhas fazendo um playback.

4 comentários:

Nathy disse...

É, não vou negar que já assisti muito quando criança e até gravei o filme de tanto que eu gostava. Hoje, é claro ( e ainda bem) eu consigo ver as bizarrices da xuxa, aliás, nunca gostei da xuxa, nem quando criança, embora gostasse do filme. O Sérgio Malandro então....nem se fala!

lunática disse...

Quão triste é lembrar que um dia achei o Sergio Mallandro sexy naquele cavalo branco...

André Modesto disse...

Nem lembro desse filme, só da música. Para mim é impensável ver o Serginho Há! Mallandro como galã de qualquer coisa. O que eu lembro mais da Xuxa é o filme Super Xuxa contra o Baixo Astral... na verdade só me lembro da atuação do Guilherme Karan, que até hoje me dá medo.

Cristine disse...

Ri muito com as análises, concordo com todas. Mas até que a cena da xuxa cantando com as fadinhas paquitas pra mim é bonitinha. Coisa de criança que teve a xuxa como babá.