Comédias brasileiras de verão

(Comédias brasileiras de verão. Editora Objetiva. 192 páginas. Em média R$32,00)

Luís Fernando Veríssimo é quase uma unanimidade entre os leitores brasileiros, então dizer “eu gosto do Veríssimo” chega a ser desnecessário. O que existe, na verdade, são leitores mais casuais ou leitores assíduos dos textos dele, e eu me encaixo no segundo grupo há uns bons dez anos (inclusive, quando me mudei de casa, fiz questão de emprestar em definitivo o Ed Mort e outras histórias que meu pai tinha).

Geralmente, definem o Veríssimo com o autor que melhor retrata a classe média brasileira, suas manias de grandeza, seus constrangimentos, a relação da família com a mudança dos tempos etc. Comédias brasileiras de verão, como o título sugere, segue por esse caminho – que, dessa vez, infelizmente, Veríssimo não percorre muito bem.



Como leitor, eu gosto de distinguir duas vertentes principais na produção do Veríssimo: o cronista de política e cultura e o contista da vida cotidiana. De uns tempos para cá, ele continua afiado na primeira parte (O mundo é bárbaro, do começo do ano, é muito bom), mas a diversão dos diálogos rápidos entre marido e mulher vem caindo de produção a cada ano – e isso fica bem claro nos textos publicados no Estadão aos domingos, que estão muito longe do que ele já escreveu um dia. Acho que, ultimamente, Veríssimo anda se preocupando demais em escrever textos que funcionem como piada, cuja última frase seria o clímax tanto temático quanto de humor – e, nesse sentido, me desapontei bastante com vários textos que derrapam por trazer um final frustrante.

Um outro defeito desse Comédias brasileiras de verão diz respeito a seleção dos textos: há um número razoável de crônicas que já haviam sido publicadas há bem pouco tempo, especialmente no Sexo na cabeça e Novas comédias da vida privada. Talvez para disfarçar a repetição ou para atualização, a maioria deles sofreu modificações aqui e ali, mas que não impedem o reconhecimento por parte de quem já leu bastante o Veríssimo.

Devo confessar que o melhor do Luís Fernando Veríssimo, para mim, ficou lá no fim dos anos 70 e começo dos anos 80, quando ele era mais feroz para falar da sociedade e brincava mais com a cultura. Hoje, livros como Comédias brasileiras de verão parecem indicar um craque cansado.

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