Bastardos Inglórios

Inglorious Basterds (2009) Dir: Quentin Tarantino. Com Brad Pitt, Diane Kruger, Christopher Waltz, Julie Dreyfus, Eli Roth e dezenas de outros atores, porque se existe alguém que gosta de criar personagens é o Tarantino. 153min.

Quando eu assisti Kill Bill pela primeira vez, lembro de ter vibrado com a violência absurda do filme. Assisti ao filme de novo esse ano e o que eu conseguia dizer enquanto a Noiva fazia jorrar sangue por todos os lados era “Esse Tarantino é um completo maníaco!”. Se antes de Kill Bill nós víamos Tarantino como o cara do roteiro inteligente e intrincado, que batia no liquidificador toda a cultura pop enorme que ele tinha, depois começamos a esperar tripas e sangue jorrando e demência. Bastardos Inglórios tem um pouquinho para todos os gostos – só não veio na medida certa.

Na trama passada na 2ª. Guerra, um grupo de soldados americanos conhecidos como Bastardos Inglórios, liderados pelo Tenente Aldo Raines ,tem como missão matar quantos nazistas puderem – com direito a arrancar o escalpo de cada morto. Enquanto isso, os nazistas preparam a estréia de um filme-propaganda na França sobre um soldado que matou mais de 300 inimigos, uma ocasião perfeita para uma emboscada.


A partir dessa sinopse, acho que todo mundo acreditava que Tarantino tinha escrito outra matança – com alvos detestáveis que não dariam nenhum remorso. Acontece que o filme não exatamente segue esse caminho: ao longo das mais de duas horas, o que se tem é muita de conversa até o evento final, divididas em cinco capítulos que funcionam como grandes cenas. E é ai que o filme decepciona um pouquinho: o capítulo chamado Operação Kino, por exemplo, é excessivamente grande, e faltam aquelas discussões inspiradas que nós estamos acostumados a ver num filme do Tarantino. Por outro lado, o ato final faz jus a tudo o que a gente podia esperar, com sangue e um completo descompromisso com a realidade, principalmente a histórica.

No que Tarantino também não deixa desejar é na construção de personagens únicos: o caçador de judeus ridículo de tão eficiente Hans Landa, a fugitiva judia Shosana e melhor personagem de todo filme, o Aldo Raines de Brad Pitt, um tipo caipira e sanguinário que deve ganhar uma indicação ao Oscar (a cena em que ele precisa se fingir que italiano é de rolar de rir). O grupo todo dos Bastardos é interessante, e então é uma pena que o filme não fale muito sobre eles.

No fim, Bastardos Inglórios traz um Quentin Tarantino bastante contido, mais focado na trama do que de costume, sem aquelas maluquices tão divertidas (a trilha sonora, por exemplo, quase passa despercebida). Agora é esperar mais uma porção de anos pelo próximo filme.

Um comentário:

Rafael disse...

Não concordo com você sobre o Coronel Hans Landa. O personagem é magnífico, diria que até ofusca o personagem do Aldo Raines.