Crácicos do Cinema #3 - Karate Kid

The Karate Kid (1984). Dir: John G. Avildsen. Com Ralph Macchio, Pat Morita, Elisabeth Shue, William Zabka,Martin Krove. 126 minutos que jamais devem ter passado por inteiro na Globo.



Os clássicos da Sessão da Tarde têm duas características tradicionais: primeiro, nós nunca ouvimos o áudio original de nenhum deles; segundo, nós jamais vimos nenhum deles por inteiro, não só porque a Globo sempre corta uma cena ou outra, as também porque faz parte do espírito da Sessão da Tarde pegar o filme pela metade. Na “Crácicos do Cinema” de hoje, temos Karate Kid, o grande responsável por nós chamarmos todos os japoneses mais velhinhos de Senhor Miyagi e por ter tentado, pelo menos uma vez, imitar aquele golpe da garça.

Na história, Daniel Larusso é obrigado a se mudar com sua mãe para a Califórnia, onde ela conseguiu um bom emprego. Lá, ele conhece Ali, e como os dois ficam interessadinhos um no outro, logo o ex-namorado da moça, Johnny Cobra-Kai Lawrence, resolve sentar o braço nele. Arrebentado, Daniel começa a ser treinado pelo Sr. Miyagi para um grande campeonato de karatê no final do filme, onde ele e Johnny poderão acertar as contas.

Besta dizer que o roteiro é previsível, podendo até ser dividido em três momentos: “Daniel arrumando problemas”, “Daniel treinando com Sr. Miyagi” e “Daniel lutando no campeonato”. Nós só lembramos da segunda parte em diante, o que é explicável, já que o começo de Karate Kid não tem nada demais: a mocinha se apaixona por Daniel desde o primeiro momento em que eles se vêem, Johnny é apresentado como um moleque mimado e Daniel é um adolescente revoltadinho, capaz de atitudes realmente imbecis, como arrumar briga com cinco caras ao mesmo tempo.



É a partir do treinamento que Karate Kid começa a cavar espaço na nossa memória, e isso graças ao Sr. Miyagi de Pat Morita. Esquisito e aparentemente gagá, o mestre obriga Daniel a um treinamento maluco de pintar cercas e encerar carros, que depois se revela a melhor estratégia para aprender os movimentos de defesa. Além disso, o velhinho é adorável com seu jeito rudimentar de falar inglês e a bela cena em que ele relembra a esposa falecida durante a guerra. (Pat Morita foi indicado ao Oscar e ao Globo de Ouro como melhor ator coadjuvante)

Por fim, o campeonato no final consegue ser empolgante mesmo depois da 15ª. vez de filme, primeiro porque os Cobra-Kai são detestáveis (ainda que todos eles se arrependam de suas maldades depois) e, fundamental, porque os combates são muito bem coreografados, sempre mostrados em plano aberto, incluindo a CLÁSSICA cena final do golpe da garça.

Encharcado de anos 80, Karate Kid é repleto de clichês do gênero “filme de superação” – e são todos muito bem feitos. Sempre disse que um filme não precisa ser exatamente bom, mas precisa divertir, e Karate Kid pode ser assistido sem medo nesse sentido.

Algumas Curiosidades:
[ ] A única coisa lançada oficialmente, no Brasil, em DVD, é Karate Kid 4, com a Hillary Swank começando a carreira.
[ ] Em momento algum do filme toca “Glory of Love”; essa música só existe no trailer.
[ ] Está sendo gravado um remake de Karate Kid chamado Kung Fu Kid, em que o Sr. Miyagi é o Jackie Chan e o filho do Will Smith é o Daniel Larusso. Eu não sou de desejar mal para os outros, mas, sei lá, podia pegar fogo no estúdio e o filme ser cancelado.

Um comentário:

Arthur Malaspina disse...

Cara, lançaram o filme do Dragon Ball mesmo depois de toda a reza vudu que eu fiz... esse - infelizmente - também vai lançar...