5 coisas que precisam acabar no jornalismo da Globo

O jornalismo da Globo é conhecido por sua credibilidade e influência no país, a tal ponto que o Jornal Nacional é quase uma instituição do país, ao lado do futebol, das mulatas do carnaval e da fila. Mas isso não impede a Globo de cometer erros, e segue abaixo cinco coisas realmente insuportáveis no Jornalismo dela.

5o. lugar
Pautas sem a menor relevância no Jornal Hoje


O meu avô sempre diz que não presta ver televisão na hora do almoço, porque nunca se sabe quando vai aparecer um cadáver na tela e estragar seu apetite. O Jornal Hoje entende isso, e a prova é a quantidade de notícias leves e sem a menor importância todos os dias.

E eles se esforçam para encontrar assuntos inúteis: reportagens sobre bandas alternativas no país (“Os rapazes do Caruru-Caru misturam o maxixe pernambucano com a sanfona gaúcha, tudo isso com um toque dos tropeiros do interior paulista”), dicas altamente sofisticadas de especialistas para controlar os gastos domésticos (“Jamais gaste mais do que você ganha por mês” Oh!), além de notícias cruciais para o nosso dia-a-dia (“Na Tailandia, um posto de gasolina explodiu e um elefante que passava pela local foi gravemente ferido”). O pior é que, se não tiver Jornal Hoje, é capaz da Globo dar meia hora a mais para o Vídeo Show.


4o. lugar
A interação esporte-jornalismo

Para não deixar que os narradores fiquem mais de cinco segundos em silêncio e assim dar margem para que o Casagrande faça um comentário desagradável contra a própria Globo, as transmissões esportivas foram entupidas de estatísticas sem o menor cabimento, como “Marcos: 4 de 9 defesas difíceis”, o que me faz imaginar que, se o Marcos fez quatro defesas, e a partida terminou em 0 a 0, quem teria feitos as outra cinco? Os repórteres em campo também colaboram para nos informar com o que há de mais importante na partida, constrangendo os jogadores com perguntas como “você sabia que o Palmeiras não ganha do Piraporinha aqui no estádio Vagnão Carvalho Setúbal desde 1957?”, sendo que essa é a primeira vez que os times se encontram desde 1957.

O ápice da interatividade surgiu com a “pergunta do internauta”, momento em que os comentaristas são chamados para falar sobre coisas sobre as quais eles acabariam falando uma hora ou outra, como “quem tem a melhor equipe?” ou “esse time é um dos favoritos a lutar pelo título”. Não são perguntas de verdade. Eu sonho com o dia em que irá aparecer “Caio, você também acha que o Rycharlison é viado?”


3o. lugar
Telejornais regionais


Tudo bem que eles são uma fonte de informação útil quando há alguma coisa importante na sua cidade, mas como isso acontece no máximo cinco vezes por ano, os jornais regionais precisam gastar seu tempo entrevistando crianças do bairro Jardim Maria Augusta que estão reciclando garrafas pet de guaraná Cotuba, ou falando da iniciativa de um grupo de senhoras que organiza um jantar dançante todos os sábados, ou que a Catanduvense não poderá contar com o seu camisa dez na partida da próxima sexta-feira, como se o camisa dez fosse melhor que o Zidane. Todas coisas necessárias para que você seja um cara preparado para os desafios do século XXI.

Isso sem contar a preferência descarada que as retransmissoras têm por uma das cidades da região que ela cobre, dedicando espaço para qualquer acontecimento, até parto de vira-lata na praça central.


2o. lugar
Matérias sobre o comportamento dos adolescentes no Fantástico

A Globo não se contentou em produzir um modelo de adolescente fútil através daquele desserviço que é Malhação. Os planos eram maiores: através de matérias de comportamento com jovens cariocas entre 15 e 19 anos no Fantástico, ela quer que a gente acredite que o modelo é bom, e que os pais precisam se adaptar aos novos tempos.

“Como encarar com seu filho a questão do sexo na adolescência”, “Os pais devem dar liberdade para que os filhos cheguem tarde da balada com os amigos?”. “Como lidar com o namorado de sua filha?” são as questões levantadas para o “debate” entre pais e filhos, sempre com o intermédio de um especialista que vai acabar dizendo “é preciso haver diálogo, os pais tem que ser amigos dos filhos, blá blá blá”. Eu acho que uma boa surra respondia a todas as perguntas.


1o. lugar
Reportagens sobre a Amazônia no Globo Repórter

Você já ouviu essa frase: “Hoje, no Globo Repórter, a Amazônia que o Brasil não conhece”. Depois de mais de 40 programas com esse tema, acho impossível que ainda exista um pedaço da Amazônia que a gente não conheça.

E o pior é que eles sempre mostram a mesma coisa da Amazônia: algum ritual de uma tribo de índios com shorts do Flamengo, o trabalho de um apanhador de castanha, a travessia do Rio Amazonas num barco, o canto raro da Arararinha da Pata Grená, um animal ameaçado de extinção, especialmente porque toda semana o repórter Francisco José fica mostrando onde ela está, e a estrela do show, a busca pela Onça Pintada. Perdi as contas de quantas vezes já ouvi “No último dia da expedição, encontramos a onça caçando um preá às margens do rio”. A onça é arrogante e só aparece no último dia.

Em tempo: “A Amazônia que o Brasil não conhece” faz rodízio com “O sono dos brasileiros”, “Brasileiros inventores” e “Alimentos que curam” (“você sabia que 400gr de pequi ralado podem diminuir a chance de câncer de ombro?”).

6 comentários:

smfantini disse...

Mto bom seu texto... me lembrei de um professor do cursinho q falava q o Globo Reporter era o Discovery dos pobres...rsrs
Mto bom p dormir essas matérias repetitivas sobre natureza, alimentação, etc...

Stella disse...

ahuahuahuah....mt bom vini!!
vc é demais msm!

fabriciohbastos@gmail.com disse...

Esqueceu da piada clássica com os seringueiros...

Arthur Malaspina disse...

Voto nesse como o melhor post do blog até hoje!!

"Para não deixar que os narradores fiquem mais de cinco segundos em silêncio e assim dar margem para que o Casagrande faça um comentário desagradável contra a própria Globo"

Chorei de rir aqui...

PS: Já te disse, não é que a onça pintada é arrogante e só aparece no último dia da expedição, é que como a expedição era só pra ver a onça pintada, quando ela aparecer, é óbvio que é o último dia, já que eles não tem mais nada lá pra fazer.

Robson Nose Alves disse...

ótimo! saudade de vc, cara! quando eu tiver coragem, vou fazer um blog também. Só me falta saber mexer com blogs....kkk
Aliás, de onde voce tirou esse platanusinhos do blog?

Rafael HMKW disse...

husduhsuhdsuhduhs....Who´s back???????Back again????hsuauhsuahsuhauhs.E ai Vinicio, chorei de rir...PArabens, como sempre brilhante texto.