Os diabos e a gente

Confesso que, quando assisti o Jornal Nacional da segunda-feira dedicar um pedação só para falar mal do bispo Edir Macedo, me senti bastante feliz, porque, dentre todos os tipos de canalha no país, o que eu odeio de verdade é o picareta religioso. Existem tantas formas desonestas de se tirar dinheiro do povo (bancos, escolas, plano médico), que apelar para o que o ser humano tem de mais sensível – sua crença – é de uma crueldade sem tamanho.


Besta dizer que picaretagem existe em qualquer instituição nesse país – seja religiosa, civil ou política – e por isso, nestas horas, eu gosto sempre de separar quem são os bandidos no comando e quem são as pessoas honestas que, de alguma forma, participam. No escândalo da Universal, quase sempre ouço alguém dizendo que quem dá dinheiro à igreja é burro, o que eu acho um erro: não se trata de burrice, mas de manipulação pura e simples.

A família dos Marinho, aproveitando o motivo religioso, também não é nenhuma santa, e compartilha com Edir Macedo a mesma ferramenta: as duas lidam com a ignorância do povo, cada uma de um jeito. Enquanto o bispo oferece a salvação e uma vida material próspera, a Globo dá um mundo de diversão para você se entreter enquanto essa vida não chega pelos meios sociais, e em troca eles recebem audiência, atenção e dinheiro.

A Globo sempre teve um papel de hiena na sociedade, ficando ao lado do leão do momento: foi contra a ditadura enquanto ela se instalava, mas abraçou-a com gosto nos anos de chumbo; elegeu Collor contra a ameaça comunista de Lula, e depois colocou Lula para sentar na bancada do Jornal Nacional com William e Fátima; agora bate num inimigo comum, para fazer valer seus status de dominadora e defensora da justiça. Numa hora dessas, eu queria que Silvio Santos fosse mais novo e menos gagá.

A queda de Edir Macedo seria um bem enorme para a sociedade. Pena que isso tenha que acontecer pelas mãos do outro diabo.

Um comentário:

Ro disse...

Oi, Vinícius... descobri seu blog! Até concordo com sua indignação sobre o bispo, mas a minha maior indignação é que todo esse tempo dedicado pela Globo ao caso não tem nada a ver com o "bem-estar" sociedade. O fato é que os programas da Record estão batendo a audiência da Toda Poderosa e por isso o ataque (ou contra-ataque) veio tão rápido. É uma pena! Como você mesmo sugeriu, é uma guerra infernal!