Febre de Bola

1992, Editora Rocco, 248 páginas, preço médio de R$35,00. (Em sebos online, a versão original, Fever Pitch, custa em média R$15,00)

Quem gosta de futebol já deve ter sido confrontado por uma namorada irritada ou qualquer outro conhecido pela pergunta: “o que você ganha assistindo ao jogo?”. Se você nunca conseguir dar uma resposta satisfatória, procure ler Febre de Bola, de Nick Hornby, onde vai encontrar os melhores argumentos da sua vida.

Marcando cada capítulo do livro por uma partida de seu amado Arsenal, Hornby narra quase trinta anos de sua paixão pelo futebol, e assim cria o livro essencial para todos que querem entender a relação conflitante que existe entre o torcedor e o esporte.


A direção de Hornby é bastante clara: futebol não é um entretenimento, mas um sofrimento voluntário, a adoção de mais um ponto a se preocupar na sua vida, quando não o ponto mais preocupante dela. Pelas mais de duzentas páginas, o autor fala não somente dos aspectos divertidos do futebol, como as manias sobre como ver o jogo, momentos absurdos como optar pelo jogo ao invés da namorada desmaiada, listas de elementos cruciais para se formar a melhor partida da história, mas também leva o futebol ao status de cultura e fornecedor de metáforas e lições para a vida, com direito ao delírio de Hornby de que o sucesso da vida dele estava intimamente ligado às vitórias do Arsenal.

Importante dizer que, mesmo dentro de um verdadeiro elogio da obsessão ao futebol, Hornby encontra espaço para o que há de grotesco nessa relação, em especial as brigas entre torcedores que chegam ao auge com a Tragédia de Hillsborough, em 1986, quando 93 pessoas foram pisoteadas durante uma partida – um feito que, com toda razão, faz valer a força a máxima de que, no fundo, futebol é mesmo só um jogo.

Inteligente e bem humorado, Febre de Bola é o livro que os torcedores merecem mais do que o próprio futebol. Ao fim dele, eu já tinha uma resposta pronta para a questão do começo: assistir futebol é concorrer a uma emoção que quem está de fora jamais vai poder saber o que é.

Um comentário:

Bárbara disse...

Bom, eu não entendo NADA mesmo de futebol, mas tenho certeza de que adoraria ler "Febre de Bola". Gostei muito do filme "Amor em Jogo" (nossa, muito engraçado mesmo!) e me encantei por um outro livro do Nick Hornby, "Alta Fidelidade". E olha que eu também nem sou muito ligada à música, não, mas o Nick é mestre em fazer a gente compreender as paixões alheias. :)