Mês do Lixo #4 - Crepúsculo


Acho que a pior coisa que pode acontecer para um filme é conseguir ser chato. Porque mesmo que seja ruim, ele ainda pode te entreter por um tempinho, e no final, você não vai sentir que perdeu tempo da sua vida, apenas que não foram horas muito bem gastas. A crítica de hoje, especial para o Mês do Lixo, é sobre o fenômeno adolescente Crepúsculo, e as duas horas da minha vida que eu acabei de perder.

Porque Crepúsculo é um filme chato e ruim ao mesmo tempo. Para começar, a trama é absolutamente arrastada: são duas horas que passam como cinco ou seis, pela quantidade de planos aéreos de floresta e olhares apaixonados do casalzinho protagonista. Mas isso é só para aumentar a aflição: os problemas de Crepúsculo são ainda maiores.


Para começar, o roteiro sobre a pobre menina deslocada que conhece o vampiro adolescente prima pela obviedade: eles não podem ficar juntos e bla bla bla – e ficam juntos no final. O que leva a isso, porém, é uma trama cheia de furos, que ignora toda a mitologia existente sobre vampiros (uma das cenas mostra um deles num lugar cheio de espelhos e, pasmem, com reflexo em todos eles), com um ato final ridículo de tão incoerente, quando Bella, a mocinha, começa a ser perseguida por um vampiro malvado, como se ela fosse a última fêmea do planeta Terra. A relação homem x mulher, aliás, é o pano de fundo do romance, que em vários momentos parece ter sido escrito pela Liga das Senhoras Cristãs: o desejo sexual do vampiro – disfarçado de desejo pelo sangue – deve ser evitado como pecado, e eu estou para ver adolescentes mais comportadinhos do que aqueles da escola da protagonista (numa cena, na praia, eles passam um saquinho de doces um para o outro!)

Não bastasse isso, o filme ainda tem efeitos especiais capengas, praticamente os mesmos dos mutantes da Record (com direito à ridícula cena do beisebol) e um trabalho de maquiagem risível: tudo bem que os vampiros são pálidos, mas há momentos em que eles estão tão brancos que mais parecem o Coringa de Cavaleiros das Trevas.

Por fim, é digna de nota a atuação amadora de Robert Pattison, que sinceramente é uma das piores que eu já vi: ele alterna entre olhares perdidos de meditação e expressões de delírio sexual, sem necessariamente acertar o momento certo para as duas.

Chato e ruim. Não tem combinação pior.

3 comentários:

André Modesto disse...

Acabou com minha curiosidade a respeito do novo fenômeno literário-cinematográfico. Já achei demais quando a Revista Época colocou isso daí do lado do Tolkien e da Anne Rice. Mas o fato de vampiros não aparecerem no espelho não é uma constante nas histórias vampirescas. Acho que os da Anne Rice têm reflexo. O Drácula de Bram Stoker não... mas preferi os da Anne Rice até O Vampiro Lestat. A Rainha dos condenados é muito ruim...

Pequenas idéias disse...

Na verdade,depois do que você disse eu fui assistir. O que penso é que o filme serve para o que se presta. É feito para meninas adolescentes com os hormônios e fantasias no auge, então acho que ele alegra, por que convenhamos, aquele recém ator-sim por que ele era modelo- é bonito mesmo. Concordo com você que tem muita coisa ruinzinha, previsível e mal interpretada, mas novamente,olhando ao que se presta, ele é bem sucedido. Resta a nós a escolha...

Anônimo disse...

eu assisti os filmes e ja li todos os livros da serie crepusculo e são otimos eu adoro todos os personagens mais em especial o Emmet e o Jasper pois eles são novos na historia e sabem atuar melhor do que voces disso eu tenho certeza e se voces acham que não é bom tudo bem pois cada um tem um tem seu jeito de pensar mas so uma coisa eu acho que as meninas que lerem isso podem ficar muito revoltedas com o que voces escrevem pois tem algumas garotas que adoram os filmes e os livros da serie crepusculo essa é a minha opinião e cada tem a sua mais cuidado com o que voces falam e escrevem nesses blogs da internet bjssssss Luna, fã do crepusculo