House M.D. - resenha da 5a. temporada

Cheio de spoiler.

Quando eu escrevi sobre House pela última vez no blog, disse que o grande trunfo da série era ser esquemática e conseguir ser interessante ainda assim, graças aos personagens que rodeavam os pacientes e, oras, pelo personagem arrebatador de Hugh Laurie.


Na quinta temporada, os casos médicos intrigantes e as sacadas epifânicas de House continuam todas lá, mas o storyline adotado para o pano de fundo deixou bastante a desejar. A temporada começa com uma trama ótima sobre o retorno de Wilson (depois da morte de Amber no fim da 4ª. temporada), mas deste ponto em diante as coisas começaram a desandar.

A manifestação da doença de Thirteen parece ter sido feita apenas para encher espaço, já que no fim da temporada ela parece mais saudável do que qualquer um ali. Além disso, o romance que ela começa com Foreman também parece saído diretamente da cartola, num daqueles momentos “personagens que estão sozinhos mesmo”.

A coisa complica mesmo com os eventos da segunda metade: o suicidio de Kutner, cuja intenção era chocar pela aparente falta de coerência e expectativa, acaba sendo um tiro na água justamente por isso: o episódio da morte é apenas razoável e depois fica claro que o personagem não faz falta nenhuma para a equipe.

Por fim, o arco que conclui a temporada decide colocar alucinações na cabeça de House. Outra vez. Quando esse recurso apareceu da primeira vez, em "No reason" (2x24), funcionou pela surpresa e criou um episódio tenso e apavorante. Depois, House tornou a ter alucinações, desta vez em "House’s head" e "Wilson’s heart" (4x15 e 4x16) para tentar descobrir qual dos passageiros do ônibus precisava de cuidados médicos. A loucura da vez é trazer Amber de volta como uma espécie de “consciência” dele, mas isso acaba se mostrando só uma grande encenação: a ex-namorada de Wilson retorna por mero acaso, sem agir como a personagem – e então fica a impressão de que ela voltou só para atender os pedidos dos fãs. O fim da temporada sofre por trazer uma revelação batida: a de que House estava alucinando novamente! E se dessa vez os problemas mentais parecem ser bem mais sérios, são bem menos impactantes para a história.

A quinta temporada de House, então, escorrega não por manter seu esquema clássico, mas por dosar mal e ser pouco criativa com os personagens que, no fundo, são o que interessam. Vamos torcer para que eles se recuperam na próxima.


2 comentários:

Anônimo disse...

"A coisa complica mesmo com os eventos da segunda metade: o suicidio de Kutner, cuja intenção era chocar pela aparente falta de coerência e expectativa, acaba sendo um tiro na água justamente por isso: o episódio da morte é apenas razoável e depois fica claro que o personagem não faz falta nenhuma para a equipe."

Discordo em alguns pontos que você disse sobre a quinta temporada, mas este parágrafo me chocou. Kutner faz muita falta, sim! Muita gente gostou dele porque, além do sarcasmo de House, ele era o que dava alegria ao seriado, já que os outros personagens são todos tão problemáticos. Não acho que tu tenha sido feliz no teu comentário, mas cada um, cada um.

Anônimo disse...

Eu que escrevi o comentário de cima, já ia esquecendo: parabéns pelo nome do seu blog e pelo plano de fundo. Amo gatos, tenho um, e eles são realmente teimosos. Tenha um bom fim de semana.