24 Horas - sétima temporada - parte II

Os acontecimentos a seguir ocorrem entre 8h da noite e 8h da manhã. E tem uma boa quantidade de spoiler.

As pessoas costumam sempre apontar a questão do tempo real como a grande inovação e grande trunfo de 24 Horas, e reclamam que a série foi deixando o conceito de lado com o passar das temporadas. Isso realmente aconteceu, com direito a situações bastante forçadas de vez em quando, mas o grande atrativo para mim nunca foi esse: em tempo real ou não, eu gosto mesmo é da ousadia e da coragem do roteiro de 24 Horas.

Porque não é toda série que tem coragem de matar seus personagens principais a torto e a direito, não importando o quanto o público gosta deles. Aquele clichê banana dos filmes de ação em que o mocinho está para morrer e então surge alguém do nada para salva-lo praticamente não existe na série – além de uma porção de outras convenções previsíveis e gastas. 24 Horas, mesmo livre disso, não está a salvo dos próprios clichês, e o uso deles é que faz as temporadas serem melhores ou piores.


Porque depois do surpreendente Dia Um, algumas coisas sempre estão supostas na série: várias pessoas importantes vão morrer; há agentes duplos infiltrados em todas as esferas; o bandido do início é sempre um peixe pequeno perto do bandido do final; alguém da família do presidente não presta e Jack, pelo menos na metade do dia, vai ser obrigado a ajudar os bandidos.

A sétima temporada tem todos esses elementos – e é uma pena que nem todos funcionem bem, especialmente na segunda metade da temporada.

Os bandidos de verdade começam a aparecer depois da morte do General Juma, sendo o Jonas Hodges de Jon Voight um dos melhores antagonistas que a série já criou. A contaminação de Jack com o agente patogênico também caiu muito bem, funcionando muito melhor do que o vício em cocaína que ele supostamente deveria ter na 3ª. temporada. Por fim, o papel crescente de Renee, a morte do pé-no-saco Larry Moss, a dubiedade do caráter de Tony e até a volta questionável da Kim Bauer guiavam para um fim de temporada bastante promissor.

É uma pena, então, que a série cometa uns erros nas suas quatro horas finais, a começar pelo núcleo chatíssimo da família da Presidente Taylor que, oras, tem uma filha que apronta uma cagada e põe o emprego da mãe em risco – e assim o roteiro só enche lingüiça com uma trama muito mais fraca e sem interesse nenhum (algo parecido com aquela lenga-lenga dos filhos do Palmer na 1ª. temporada).

Esperava-se muito da resolução sobre o caráter do Tony, e eu acho mesmo que ela não decepciona. Problema mesmo é abusar do expediente do “maior dos bandidos”: Tony diz que deve matar Alan Wilson porque ele é o responsável pela morte da Michelle. Até onde eu lembro, os responsáveis pelo plano do Presidente Logan foram pegos na 6ª. temporada (e um deles era o finado irmão do Jack). Assim, fica forçado sair com outro super-controlador do bolso, ainda mais para proporcionar uma cena fraca como a em que o Tony faz um looongo discurso antes de mata-lo e assim dá oportunidade de Jack impedi-lo.

A doença de Jack também ficou devendo no final. Apesar de proporcionar todo um questionamento bem denso sobre como ele havia conduzido sua vida, a solução pecou por ser simples demais. Jack não queria que Kim se arriscasse com o tratamento experimental, mas como ele estava em coma nos últimos minutos, ela olhou para a médica e disse que a opinião do pai dela não importava. A cena final foi de longe a mais fraca de toda a história da série.

Deslizes à parte, a sétima temporada valeu todas as 24 horas que eu me dediquei a ela, e deu fôlego o bastante para a derradeira oitava temporada em 2010. Mesmo presa nas suas próprias convenções, a história de Mr. Bauer ainda consegue manter o ritmo quando quer. Então que venha o Dia Oito em Nova York.



Um comentário:

Rafael disse...

É verdade, a temporada foi mto boa, mas o final meio fraquinho... Faltou a Kim pelada!!! A Renee é bonitinha, mas ainda sou mais a Chloe com sua cara de bravinha... Ainda assim 24 Horas continua fodão... Que venha a Última Temporada, e que Jack morra da uma maneira espetacular!!!

2010, último ano de Lost e 24 Horas...

P.S: Atualiza o blog do futebol, o primeiro post ficou mto legal! Que tal o tema: Milton Neves???