Bela noite para voar

Bela noite para voar (2009). Dir: Zelito Vianna. Com José de Abreu, Maria Ximenes, Marcos Palmeiras e todos os outros atores da Globo que você consiga lembrar. 112 min.

Motivado por uma crítica boa, eu me arrisquei a assistir hoje Bela noite para voar, filme nacional sobre uma tentativa de atentado contra o presidente Juscelino Kubistchek.

E, tirando a atuação de Cássio Scapin numa ponta como Jânio Quadros, o filme é uma porcaria estrondosa: adotando uma estrutura narrativa, ao menos pouco usual, de contar a história num dia todo (como se fosse um 24 Horas), os roteiristas obviamente se mostram incompetentes quanto a isso, deixando personagens ficarem horas no mesmo lugar e outros irem e voltarem de suas casas em minutos. Depois, as atuações sofríveis de todo um elenco de atores da Globo e, para colocar a cereja no bolo, diálogos impecavelmente ruins e forçados, com direito a personagens falando sozinho para esclarecer algum ponto da trama (lembro de ter dado uma risada alta no cinema quando a personagem da Mariana Ximenez repetiu para si mesma, pela terceira vez, uma mesma informação).

Sempre que eu tento ver um filme comercial brasileiro, eu me irrito com a mesma coisa: quando é que vão aprender que um filme não é um capítulo de novela esticado? Tudo remete à televisão: os closes no rosto, a precariedade da produção (no filme, passado nos anos 50, há uma bandeira do Brasil enorme que só existiria em 1988) e, na raiz de todo o problema, o maldito elenco surrado de novelas da Globo.

A indústria americana de entretenimento obedece uma regra bem clara: televisão é televisão, cinema é cinema. Dos trocentos atores de sitcons e séries da tv, uma minoria consegue um espaço na tela grande, enquanto o caminho inverso geralmente atrai uma atenção enorme (séries com atores de cinema costumam ser super-produções dignas de… cinema). No Brasil, existe uma quantidade grande de ótimos atores desconhecidos, que despontam em produções mais autorais como as de Walter Salles ou Fernando Meirelles. Por outro lado, basta aparecer o logotipo da Globo Filmes no início da projeção para se preparar para uma avalanche de atores consagrados pela televisão, o que prejudica em muito qualquer filme. Quando se dá de cara com um rosto famoso no meio da cena, logo se adivinha que aquele personagem é importante. Aliás, chega-se ao ridículo de colocar atores conhecidos para pequenos papéis com uma ou duas falas.

O que deve passar pela cabeça desses produtores é que, com atores famosos, o público da tv é estimulado a sair de casa e ir ao cinema, onde, ironicamente, ele só vai encontrar a tv numa tela maior. Certa vez, eu e um amigo chegamos a conclusão de que o cinema brasileiro não ia tão mal das pernas assim, nós é que tínhamos parâmetros errados: o cinema americano lança centenas de filmes por anos, com uma boa dezena de porcarias; o nacional lança, quando muito, dez filmes nos cinemas, e só dois ou três se salvam, então os sete imprestáveis condenam a produção toda. Paciência e disposição para continuar conferindo os lançamentos a gente tem; falta só alguns filmes se esforçarem um pouquinho mais.

E antes que eu me esqueça, a nota do Bela noite para voar:


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