24 Horas - sétima temporada

A resenha a seguir se passa entre as 8:00 da manhã e as 8:00 da noite.

Quando escrevi aqui no blog sobre a sexta temporada de 24 Horas, ainda estava bastante empolgado com a série, por causa dos níveis de terror e apreensão aos quais ela havia chegado, com direito até a reclamação formal de autoridades americanas contra os atos de tortura de Jack Bauer. Acabei deixando a série na metade (11o. episódio acho), o que acabou sendo uma boa idéia, já que depois a temporada desandou bonito e houve até risco de cancelamento. Um ano e uma greve de roteiristas depois, 24 Horas retorna – e esse descanso fez muito bem, obrigado.


Sai a Los Angeles amarelada da CTU e entra uma Washington de fotografia azulada, mais urbana, da Casa Branca e do FBI – e essa é a primeira ótima mudança bem vinda. A presença do órgão “oficial” de investigação dos EUA (a CTU é uma invenção da série) criou o conflito cheio de possibilidades entre os protocolos da agência (encabeçada por Larry Moss) e a postura “faço o que tive que ser feito” de Jack, que tortura, prende e bate antes da vítima ameaçar chamar o advogado. Depois de seis temporadas vendo Jack fazer o que bem entendesse, é angustiante vê-lo ter que enfrentar também a burocracia e a papelada do estado (o que fez com que ele fosse preso, no mínimo, umas cinco vezes até agora).

Junto com o conflito, veio o personagem mais interessante dessa temporada, a agente do FBI Renee Walker, literalmente dividida entre a lealdade ao FBI (e a seu chefe e caso Larry Moss) e a política eficiente de resultado a qualquer preço de Jack. Falando ainda em personagens, a volta de Tony, apesar de um pouquinho forçada, também é ótima por trazer um personagem completamente desgraçado e instável para as missões, o que na certa ainda vai se revelar um problema.

E Jack continua firme e forte, batendo em suspeitos, torturando, colocando os objetivos acima de tudo etc. Enquanto nas outras temporadas nós assistimos ele sofrer todo tipo de golpe (mataram sua mulher, sumiram com sua filha dezenas de vezes, deixaram sua namorada louca, ficou em cativeiro na China), o que se tem agora é um Jack Bauer sem nada a perder, e que por isso se dedica de um jeito obcecado a cumprir a missão que lhe foi dada. E se antes ele era o centro das atenções, com terroristas exigindo sempre a sua morte, agora ele é um instrumento da defesa, uma peça no quebra-cabeças.

Claro que 24 Horas ainda mantém seus padrões de narrativa: há uma porção de agentes duplos e infiltrados, mortes de personagens principais, bandidos de fachada para o bandido maior (que começa a agir a partir da 12a. hora), dramas na família presidencial etc. Quando a sexta temporada fracassou, muito se falou numa reinvenção da série, mas este novo dia deixa claro que Jack só precisava mesmo descansar e mudar de ares para sair correndo atrás dos malvados outra vez.


Um comentário:

Rafael disse...

Eu já assisti até a meia-noite, e realmente, essa 6ª temporada tá matando a pau. Ao contrário da 6ª temporada, que foi esfriando, essa madrugada tem tudo pra ser fodástica. A cara de bravinha da Chloe é demais, e a ruiva do FBi é boa também. Pra ficar perfeita, só precisava que a Kim voltasse, nem que fosse numa cena totalmente sem sentido, tipo ela tomando banho, hauahah