Turma da Mônica Jovem - número 5 e 6

Na minha última resenha sobre Turma da Mônica Jovem, escrevi que a promessa de guiar a trama para os dilemas cotidianos era, claro, mais um equivoco da extensa lista que vinham sendo cometidos. E eu estava certo – mas isso nem é mérito meu: qualquer um percebia que essa era a última burrada a se fazer.

Então saem as horrendas dimensões mágicas, com o roteiro esquemático de procure-essas-quatro-pedras-e-depois-invoque-a-espada-do-capeta e entra um número inteiro dedicado a paixãozinha da Mônica pelo Cebolinha, criado – que dúvida – de forma esquemática!
A primeira história, chamada “onze coisas que as meninas adoram” é uma vergonha de roteiro: a mãe da Mônica fala uma coisa que as meninas gostam (“sobremesas” – puxa, que original), depois diz outra, depois outra, e aí se passarm 40 páginas! Para piorar, o número cinco parece uma grande ilustração de um capítulo da Malhação, e é de matar de desgosto a caracterização das meninas adolescentes: estão todas com a barriga de fora, porque essa é a forma que encontraram para diferencia-las das adultas!

Turma da Mônica Jovem numero 5 é o fundo do poço.




Mas seria injusto dizer que o número 6 é a luz no fim do túnel só por contraste.

Percebendo a nau sem rumo que é tentar falar das angústias adolescentes, o roteiro decidiu investir outra vez numa trama fantástica, desta vez passada em Marte, num futuro em que as pessoas podem viajar pelo espaço com algum dinheiro. A turma viaja até uma estação espacial chefiada pelo Astronauta, e, lá pelo fim da edição, descobrem que despertaram algum tipo de segredo escondido num templo do planeta.

E porque a número seis é a melhor edição até agora, mesmo com uma premissa aparentemente forçada dessas? Primeiro, porque o roteiro abriu mão da facilidade do “encontre quatro coisas”, e isso faz surgir uma narrativa de verdade, não uma sucessão de pequenas histórias amontoadas de uma pra outra; depois, o desenho está consideravelmente melhor; e por fim, porque enfim acontece ALGUM aprofundamento de personagens: Mônica e Cebolinha ocupam o centro da trama, Franjinha começa a funcionar como um “guia” do leitor (aquele que repassa informações) e, por mais que a personalidade do Astronauta desconsidere por completo o que já havia aparecido na revista, pelo menos é bastante interessante – pena mesmo que Cascão e Magali continuem avulsos na história.

Enfim, não é só o primeiro número que dá vontade de ler o seguinte – é o primeiro número bom.




2 comentários:

Esp. disse...

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... Seis pessoas. Fazia tempo que um blog não despertava meu interesse. Gostei muito das críticas. Está de parabéns.

Não, eu não tenho nada para falar sobre TMJ. O importante já foi dito (e muito bem, por sinal).

Anônimo disse...

Sim, provavelmente por isso e