Marley e eu

Marley and Me (2008). Dir: David Frankel. Com Owen Wilson, Jennifer Aniston, Alan Arkin, Eric Dane e o cachorro, oras. 120 min.

Acho que existem dois bons questionamentos para se fazer sobre adaptações de livros para o cinema: a primeira: se o roteiro do filme vai mutilar o original, então porque insistir em vender um como se fosse o outro. Segunda: se o roteiro funciona muito bem, tomando liberdades com relação ao original, porque sempre sofre críticas?

Marley e Eu é típico do segundo caso: não li o livro, mas não foram poucas as pessoas que ouvi reclamarem que o filme foge da história e, fundamental, dá mais importância para o protagonista humano (o autor) do que para o cachorro – e isso impediu todas elas de verem que se trata sim de um bom filme, mesmo com Marley em segundo plano.

O filme, então, não é sobre um cachorro destruidor – mas sobre o amadurecimento de seu dono. Há uma mensagem bem clara sobre as responsabilidades que vamos adquirindo na vida – casamento, filhos, empregos – e as escolhas que devem ser feitas para conciliar todas elas. O cão, no fim das contas, deveria ser um treino, mas acaba se somando a tantos outros compromissos – e o filme é bacana ao retratar com sutileza os paralelos entre o protagonista e o cão. Quando o final chega, você não se sente devastado com a conclusão, mas sim emocionado com uma perda prevista, algo que a vida guardaria para você, cedo ou tarde – e não lembro de ter ouvido tanta gente chorando no cinema de uma vez só.



Um comentário:

Bárbara disse...

Caramba, nem eu me lembro de ter ouvido tantos "fungados" em uma sessão de cinema. Eu e a minha prima esperamos os créditos chegarem ao fim para ver se a vermelhidão dos nossos rostos sumia. Não sumiu, e todo mundo ficou olhando pra gente, tentando adivinhar o porquê das lágrimas.
Adorei. O filme e a sua crítica. ;D