Turma da Mônica Jovem - volume 4

A única coisa na qual eu consegui pensar, depois de encerrar o primeiro arco de histórias de Turma da Mônica Jovem, foi: porque raios isso foi lançado?

Minha pergunta não é só de insatisfação, ela vem carregada de lógica: uma trama ridiculamente furada, segmentada em quatro edições que não desenvolvem nenhum tipo de coerência, arte capenga, roteiro que sobrevive em cima de clichês, são coisa de amadores, de artista inexperiente, de trabalho solitário da primeira idéia até chegar à arte-final – daí minha incompreensão sobre como um grupo do porte dos Estúdios Mauricio de Sousa (de 45 anos de experiência) lança algo tão pavorosamente ruim como Turma da Mônica Jovem.

O numero quatro – que encerra essa bobagem de arco chamada “Quatro Dimensões Mágicas” – consegue ser ainda mais fraco que os anteriores: há uma cópia descarada dos torneios de arte marciais presentes em Dragon Ball (com o agravante de as lutas simplesmente não serem mostradas), uma passagem desnecessária por um cemitério com o intuito de exibir como seria a turma do Penadinho (o horror! o horror!) e um final, além de anti-climático, cretinamente bobo e simplista (com uma reviravolta, aliás, que desafia a inteligência). Passamos quatro edições acompanhando a turma procurando pelas “relíquias mágicas” (artefatos com nomes bestas que não tem nenhuma função) e depois tudo acaba da forma como começou – com a impressão de que não houve sequer um desenvolvimento paralelo de trama; se fossem dez relíquias, na certa teríamos dez edições.

Para completar, a arte dessa edição é terrivelmente feia – em alguns momentos, senti como se estivesse vendo um daqueles desenhos da Turma da Mônica feito em muros de escola ou de sorveteria (há um desenho do Quinzinho que é um primor de mal-feito).

Por fim, o grande assunto dessa edição – o beijo entre Cebolinha e Mônica – serve de referência para a falha maior de todo o projeto. Li muita gente dizendo que este era um momento esperado a tantos anos, que Mauricio de Sousa era um gênio por atualizar uma imagem da nossa infância e bla bla bla... eu pergunto: que Mônica e Cebolinha são esses se beijando? É evidente que se tratam de outros personagens, e eu não digo isso porque ele não está de verde nem ela carregando um coelhinho; a trama poderia ser furada, a arte horrível, mas acima de tudo, a falha está na construção vergonhosa dos personagens, que ganham uma característica aqui e outra ali, sendo completamente desinteressantes em relação a suas versões originais. Atualizar a Turma da Mônica acabou se revelando piorar a Turma da Mônica.

Turma da Mônica Jovem é algo sem solução – nasceu mal, continuou mal, e pelas palavras de Mauricio no final da edição – prometendo um número cinco focado no quotidiano, nas fofocas (!?) e na curtição – vai continuar mal. O homem tem crédito – mas Mônica Jovem é um golpe e tanto.





Um comentário:

Arthur Malaspina disse...

Eu postei minha resena.. vê lá...