Mamma Mia!

Quando você decide fazer um filme baseado em canções do ABBA, reconhecidamente o grupo musical mais cafona da história (e pelo qual, eu devo confessar, mantenho um apreço bem esquisito), não pode levar nada a sério – e isso fica claro em Mamma Mia!, cujos personagens são incrivelmente rasos, a trama é bobinha e previsível e, num determinado momento, dá para ver que Pierce Brosnan está se esforçando para não rir durante uma música.

E é isso que faz Mamma Mia! Um filme estranhamente divertido: ele se assume como ridículo, não se esforça nem um pouco para ter pretensões mais sérias e consegue ganhar o espectador pelas suas piadas voluntárias ou não. Muita gente criticou a breguice e a superficialidade do filme, mas fica claro que essa era mesmo a idéia central – e se você quer uma coisa séria, que vá assistir ao Cidade Alerta. Além do mais, diferente do que acontece com uma coisa pretensiosa do tipo Across the Universe (baseado em canções dos Beatles), Mamma mia! Funciona muito bem com as inserções das canções do ABBA, e talvez no fim do filme você até imagine que o grupo escreveu as músicas 30 anos atrás com o único intuito de fazer um filme desses. Ridículo a ponto de ganhar nossa cumplicidade.



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