Linha de Passe

Houve um tempo em que qualquer filme brasileiro para mim era sinônimo de porcaria: todos tinham cara de produção mal-feita e mambembe, sendo que bom mesmo eram as super-produções de Holywood. Depois, eu acreditava que o mal do cinema nacional era uma necessidade de ser nacional, isto é, de ficar gritando na cara do espectador “vejam, eu sou um filme brasileiro”, como se fosse proibido seguir as fórmulas de sucesso do cinema estrangeiro. Mas o que acho mesmo hoje é que o cinema brasileiro engrenou, quando conseguiu usar o que havia de proveitoso no cinemão consagrada e, ao mesmo tempo, ser autêntico e refletir o país.

Muita gente acusa o cinema brasileiro de ter muito palavrão e nudez – e eu acho essa crítica só meio certa: de um lado, vez por outra a mulher pelada em cena (uma atriz famosa da Globo, na maioria dos casos) é absolutamente desnecessária para a trama, sendo mais chamariz do que qualquer proposta estética; por outro lado, dizer que o cinema é “sujo” pela quantidade de palavrões é não olhar o próprio rabo – afinal, que raios de representação seria essa em que um sujeito diz “por favor, vamos deixar de fazer barulho” quando todos sabemos que essa frase deveria ser “porra, dá pra parar de fazer barulho, caralho!”.

Linha de Passe é um exemplo realmente muito bom dessa safra nova de cinema nacional: narrando a vida complicada de uma mãe solteira e de seus quatro filhos (um jogador de futebol, um motoboy, um evangélico e um menino de dez anos), o que se produziu foi um longa triste, amargo, que não tenta dar nenhuma solução tranqüila ao final e que não se importa se você vai sair sorrindo do cinema. Tirante bobagens feitas pela Globofilmes (vocês sabem, pegam meia-dúzia de atores de novela e se põe a fazer um capítulo de novela comprido), é ótimo saber que o cinema nacional tomou o rumo da autenticidade sem cair na pretensão nem na xenofobia.





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