Turma da Mônica Jovem - em estilo mangá

Geralmente, quando se escreve uma crítica negativa, em algum ponto do texto se diz que “o grande problema mesmo é…”, o que de certa forma ameniza os outros. Não é o caso de Turma da Mônica Jovem, revista de 120 páginas, em preto e branco, lançada agora em agosto pela Panini. Todos os problemas da revista são grandes.

A idéia é a seguinte: fazer a turma da Mônica envelhecer dez anos, mudar o traço do desenho, incorporando as técnicas do mangá japonês, e adicionando elementos conflituosos da adolescência e grandes histórias com guerreiros e pedras mágicas. E tudo isso dá completamente errado.

Acho uma bobagem sem tamanho querer fazer a turma envelhecer fisicamente. Para mim, eles sempre foram adolescentes (apesar da eterna idade de sete anos), sendo que o Cebolinha, inclusive, se comporta como um adulto. A versão mangá, ao fazer com que eles cresçam “a força”, tornou-os mais infantis, cheios daquelas gírias dos adolescentes bestas e com um comportamento caricato.

E há toda a questão do estilo de mangá: Mônica Jovem parece ter sido desenhada por alguém que ouviu falar como eram os mangás, ao invés de ter lido. Não há nada de impressionante no visual da Turma (salvo a Mônica, talvez), sendo que os personagens secundários são absolutamente simplórios no desenho. Soma-se a isso aquele monte de textura mal usada dos mangás e no final o que se tem é uma produção com cara de amadora.

Por fim, há o problema da trama – a apresentação da nova versão dos personagens é mal conduzida e dá a impressão de que eles estão se conhecendo naquele dia. E quando a história dá uma guinada na direção de uma trama de aventura, falha de um jeito tosco, apelando para aquele clichê velho de “busque isso naquele lugar” (e a justificativa para a jornada é ridícula de tão mal construída); isso sem contar a salada de referências: Capitão Feio (o horror! o horror!) invoca, em latim, uma deusa que logo em seguida passa a falar japonês, que por sua vez manda a turma buscar coisas como “o anel de Netuno”. Eu ouvi os primeiros versos de “samba do crioulo-doido” lendo a história.

Quando li a revista numero 0, mesmo sem gostar, achei que precisava dar uma chance. Depois da número um, não vejo mais problemas em afirmar que Turma da Mônica Jovem é uma atrocidade sem tamanho, uma coisa para a gente fingir que sequer existe.





2 comentários:

Bárbara disse...

Parece que fizeram uma mistureba louca mesmo, hein? Mas você já reparou que a turminha incorporou novas gírias nessas historinhas que tão saindo agora? Nada muito chocante, mas certamente diferente.

Um abraço!

PS. Adorei o seu último comentário! Hahaha!

Arthur Malaspina disse...

Como eu já disse na minha resenha...

Só comprem por masoquismo...