Lolita

Uma definição rápida de Lolita (1995) seria a seguinte: é a história de um cara de 40 anos que traça uma menininha de 12. Mas uma definição verdadeira vai um pouco mais longe: Lolita é a história de uma menininha de 12 anos, vil, ardilosa, cínica e centrada, que leva a loucura um homem pervertido e arrasado de 40 anos.

É um caminho natural enxergar em Lolita uma história sobre sexo e as depravações morais, mas eu acredito que isso seja só mesmo a trajetória de uma coisa bem mais complexa, que é a degradação do indivíduo. Humbert Humbert, o protagonista, desce a ladeira rumo à perdição completa de corpo e mente graças a bela Dolores Haze, que faz o que quer dele durante toda a narrativa.

Narrada pelo próprio Humbert, Lolita não é só um escândalo: o estilo sofisticado de Vladmir Nabokov (1899 – 1977) faz de qualquer rala pornografia verdadeiras poesias, e se você não estiver atento, é capaz de ler o livro todo sem achar que nada aconteceu – enquanto o erotismo palpita de cada símile genialmente disfarçado. Para ler e ter pena de Humbert, embora ele não mereça nem um pouco.

Um comentário:

Thiago Augusto Corrêa disse...

O mais curioso disso é que Mario Donato anos antes iria abrir o gênero com o Presença de Anita, um bom livro que se perde pelas repetições mas que também usa uma poesia única para se falar de coisas escandalosas.

Eu nunca reli Lolita, mas sempre me impressionei com o fato da narrativa ser tão "arrastada" enquanto eles estão em viagem.

Talvez a idéia do autor foi tão bem transpassada no texto que ao menos eu notei que essa parte da narrativa era estática demais, dando mesmo a noção de uma viagem chatíssima.