Os filmes mais legais de 2007

Todo mundo gosta de fazer suas listas de melhor filme no final do ano, e eu é que não ia querer sem diferente. Assim, eis aqui a minha lista dos dez filmes mais legais de 2007, e para isso eu resolvi adotar alguns critérios:

a) essa lista possuí unicamente filmes comerciais, que passaram pelo cinema, e todo mundo pode ter assistido. Não tem nada do tipo Os cães que latem quadrado, do premiado diretor francês Jean-Paul Fresceè, que já fez diversos filmes consagrados que provavelmente nunca nós veremos na vida, para nossa sorte.

b) para efeito de organização, a lista inclui os filmes lançados originalmente em 2007. Por isso, filmes como A procura da felicidade, Borat e Rocky Balboa, que são bem legais, que chegaram ao cinema daqui em 2007 mas já haviam sido lançados nos states em 2006 não contam.

c) alguns dos filmes da lista foram vistos mais de uma vez, o que significa que a nota original dada a eles pode ter mudado, para mais ou para menos. A lista levou em conta quais filmes tinham as maiores notas originalmente, mas a classificação não é pautada só por isso. E agora chega de enrolação e vamos à lista.

Mas antes, as grandes porcarias do ano:

A Grande Familia – ou como esperamos que o espectador tenha
um QI de 27 pontos e não perceba o grotesco furo no roteiro.
Motoqueiro Fantasma – olha, é um lixo. Mas eu fui para passar o tempo.
Beowulf – bonitinho mais ordinário. Chato até o talo.
Bee Movie – bonitinho mais ordinário, parte II. Sem graça até o talo.
Hora do Rush 3 – aposenta Jackie Chan, por favor.

10. Simpsons – o filme
Logo no início de Simpsons – o filme, Homer diz a frase que provavelmente fica na cabeça depois do filme: “porque eu paguei para ver no cinema uma coisa que passa de graça na televisão?”. Mas depois de passar 90 minutos rindo sem parar de coisas das quais a gente já ria na televisão, vem a resposta: é por respeito e gratidão. Mesmo sem inovar e ser só um episódio esticado, Simpsons – o filme, é divertido até dizer chega, tem umas piadas memoráveis e enfim colocou os amarelos na tela grande, porque eles mereciam mesmo.

09. Zodíaco
Perdi Zodíaco no cinema e quase deixei passar agora no final do ano, mas felizmente consegui assistir ao suspense bem-humorado sobre o lendário assassino americano que matava suas vítimas e enviava cartas ao jornal. Mais do que uma trama de mistério, Zodíaco é a história da obsessão de três personagens atrás do criminoso, e quando o filme acaba a sensação do espectador é a mesma dos perseguidores: o que eu faço agora?

08. Stardust – o mistério da estrela cadente
Ninguém dava nada para Stardust, e eu sinceramente engrossava o coro. Ninguém entendi porque celebram tanto Neil Gaiman, autor da graphic book que serve de fonte para o filme, e assim realmente não me animava a idéia de assistir ao filme. Mas eu me dei por vencido e, no cinema, me diverti muito com a história do rapaz que precisava encontrar uma estrela cadente para sua namorada enjoada e descobre que a estrela é uma mulher linda, que por acaso está sendo perseguida por um candidato a rei e por uma bruxa. Com estrutura de conto de fadas, Stardust é inteligente, divertido e de uma atmosfera mágica que há tempos eu não via. É a surpresa do ano. (e nem estamos contando aí o Capitão Shakespeare de Robert DeNiro, que já vale o ingresso sozinho).

07. Piratas do Caribe – no fim do mundo
Na metade do ano, esperava-se muito de três filmes, curiosamente a terceira parte da trilogia: Homem-Aranha, Shrek e Piratas do Caribe. Shrek me desapontou bastante, já que não conseguiu ser insano como os anteriores, enquanto a história de Peter Parker deu errado quando a produção ficou megalomaníaca e tudo aumentou sem sentido algum – mais bandidos, mais tramas, mais personagens secundários, muito mais efeitos especiais, além daquele momento emo de Peter etc. O terceiro Piratas do Caribe também sofre um pouquinho da síndrome de aracnídeo e dá uma bela exagerada, mas a verdade é que a história de Jack Sparrow funcionou muito bem, obrigado. Juntando a descontração e a comédia do primeiro, com a tensão e a escuridão do segundo, o terceiro Piratas encerrou bem a trilogia e sem dúvida é o blockbuster do ano.

06. Letra e Música
Comédia romântica é, de certa forma, como um bolo: os ingredientes são sempre os mesmos, a exceção de uma coisa ou outra colocada que muda o sabor, sei lá, uma gotas de chocolate, doce de leite, um copo de fanta uva, que seja. Letra e Música não escapa às formulas da comédia romântica, aquela do mocinho e da mocinha super legais que se apaixonam, mas se separam por um motivo besta, mas depois voltam e você sai feliz do cinema. O que faz esse filme ser diferente dos outros são os ingredientes extras, e aí estamos falando da melhor sátira sobre a música dos anos 80 feita agora – isso sem contar que o mocinho e a mocinha são mesmo super legais, encarnados pelo Hugh Grant, que está repetindo o mesmo papel legal há 10 anos, e pela Drew Barrimore. Para ouvir “pop goes my heart” e sair repetindo.

05. Ultimato Bourne
Numa luta entre Jason Bourne e 007, o agente da rainha tomaria uma surra em, no máximo, 8 segundos. Enquanto Bond pegaria sua arma hipermoderna no seu carro com controle remoto que atinge até a lua, Bourne já teria lhe dado um soco e fugido loucamente pela rua com a moto de alguém. Agora que a trilogia foi encerrada brilhantemente com Ultimato, que é um verdadeiro baile de Jason Bourne para cima de seus adversários, já se pode falar na importância que a série teve no cinema: depois de Bourne, os espiões internacionais deixaram de lado as frescuras digitais chatas da década de 90 e voltaram a ser homens de verdade, socando os bandidos e sofrendo de dores verdadeiras – e Cassino Royale é uma bela prova disso. Bourne lançou escola e fez um bem danado ao cinema.

04. Duro de Matar 4.0
Eu tinha uma boa dose de desconfiança sobre Duro de Matar 4.0: Bruce Willis meio velho, roteiro falando de hackers, a velha história sobre censura, tudo caminhava para um filme caça-níquel que mancharia a série. Mas John McLane é John McLane, e depois que ele derruba um helicóptero com um carro e diz que fez isso porque estava sem balas, eu me senti aliviado e bastante feliz. Todo filme de ação é estúpido e invariavelmente babaca, mas só Duro de Matar consegue ser assim e ridiculamente divertido ao mesmo tempo. Willis estava em ótima forma, arrumou uns coadjuvantes legais (especialmente sua filha) e produziu uma daquelas pérolas da xucrice que nós gostamos de ver sem culpa. Yppie-ka-ei, motherfucker!

03. Saneamento Básico – o filme
O cinema nacional deu uma encorpada nos últimos dez anos – mas o problema é que boa parte disso ainda são grandes porcarias calcadas em atores da Globo feitas para dar dinheiro, como bobagens feito Olga, O primo Basílio, Xuxa e os cachorros de cinco patas etc. Mas geralmente alguma coisa se salva, e curiosamente o fruto bom da lavoura desse ano é Saneamento Básico, um filme que tira um sarro maravilhoso do cinema nacional. De Jorge Furtado, o mesmo cara por trás do incrível Homem que copiava, Saneamento fala dos contrastes do Brasil, que tem dinheiro para projetos de cinema e não tem para construir uma fossa, e no meio disso cria um curta-metragem impecavelmente ruim sobre um monstro da fossa. Inteligente como poucos, Saneamento só não é o melhor filme nacional do ano porque Capitão Nascimento não vai deixar. Mas é cinemão-pipoca engraçado e crítico de um jeito que nunca se vê por aqui.

02. Tropa de Elite
Na segunda vez em que eu vi Tropa de Elite, eu consegui rir com as passagens engraçadas do filme, porque da primeira vez o clima de tensão me tomou tão completamente que eu juro que esperava que tudo acabasse logo para que eu pudesse respirar. Daqui uns tempos o debate em torno do filme vai esfriar por completo – o que é uma pena – o que irá sobrar é um filme de ação sensacional, assustador e empolgante. Depois de Cidade de Deus, o cinema nacional novamente resolveu ousar e acertou em cheio. Lógico que Tropa tem uns efeitos colaterais meio complicados, como o gosto pelo filme pelos motivos errados – e podem apostar como haverá criancinhas vestidas com uniforme do Bope no Carnaval – mas nem por isso ele deixa de ser avassalador.

01. Ratatouille
O melhor filme de 2007 conta a história de um rato que cozinha e de um cozinheiro que não sabe o que faz com uma panela na mão, mas isso é feito de uma maneira tão absurdamente sensível que no fim parece que a gente viu outro filme. O melhor filme da Pixar até agora é também o melhor do ano, graças a sua capacidade de inundar todos os sentidos do espectador de um jeito surpreendente. Para assistir e ficar extasiado, simplesmente.

É isso ae pessoal, ano que vem mais críticas de filme aqui no blog.

Um comentário:

Arthur Malaspina disse...

Concordo bem com vc... mas faltou transformers!!