Complexo de Portnoy

Eu gosto de fluxo de consciência na literatura, eu não gosto muito é em que ele é usado: a minha última experiência nesse sentido foi com Mrs Dalloway, da Virginia Woolf, e honestamente eu não me interessei muito pelo drama de uma velha de 50 anos que passou a vida sem fazer nada. Por isso então eu me apaixonei por Complexo de Portnoy (1970), do americano Philip Roth (1933 - ), que joga o personagem do título, o judeu Alexander Portnoy, na cadeira do psiquiatra para contar da sua vida.

E que vida: sufocado pela mãe judia na infância, Alex passou pela típica adolescência masculina cheia de auto-erotismo (que é um nome elegante para dizer vocês bem sabem o que), culminando com várias e várias perversões sexuais quando adulto. O resultado de tudo isso é um sujeito cínico, amargo e ridiculamente engraçado, lamentando a sua vida, sua condição de judeu, suas experiências amorosas falidas e todo o resto que está a seu alcance. Enfim, Complexo de Portnoy, para mim, é o livro que tinha uma bola nas mãos e resolveu jogar futebol com ela ao invés de criquete com os amigos da aristocracia. Recomendado para quem quer se matar de rir e ver ácido escorrendo de papel.

Um comentário:

Cris Guzzi disse...

Seria Dr.Arnaldo Cortina quem te indicou esse livro rs?!?
Querido, nunca tinha vindo aqui e agora me deparo com o que estava procurando: uma lista crítica e singular sobre os filmes que vou/pretendo assistir nessas férias...
beijo enorme