O Labirinto do Fauno

Depois de um bom tempo, eu comecei a entender porque tantos críticos abominam o cinema de Hollywood e prezam tanto os filmes independentes e de outros países: num projeto alheio ao cinemão, não há preocupação com bilheteria, com criancinha comprando brinquedo, com censura e o diabo: faz-se o filme do jeito que se quer fazer o filme.

Acho que essa é a principal força motora do magnífico O Labirinto do Fauno, do diretor mexicano Guilherme Del Toro. Se a história da menina que tem que passar pelas provas para provar que é a princesa do mundo subterrâneo fosse contada pelo prisma dos states – provavelmente dos estudos Disney – tudo acabaria num roteiro amarradinho e quase fofo. Ao contrário disto, Labirinto é sangrento, brutal e assustador, com direito a mortes plasticamente pavorosas e um clima de deixar o coração na mão o filme todo. O fundo de pano da Guerra Espanhola dos anos 40 é retratado com a fidelidade que merece, deixando claro que a guerra não são uns soldadinhos brigando, mas destruição e mortes sem sentido. De um medo fascinante, Labirinto foi um dos grandes filmes de 2006 e merece entrar para a história do cinema como uma produção ousada e encharcada de coragem. Filmaço!



Um comentário:

Hime disse...

concordo... a cena em que o padastro da menina destroi o rosto do cara (com pancadas) e desfigura o rosto dele... é de chocar qualquer pessoa.. pe brutal, mas terrivelemente fascinate...Adorei o comentário vini...