Rocky - o herói

As portas do sexto filme do Garanhão Italiano, eu e meu amigo Arthur nos submetemos a uma maratona de todos os filmes do lutador, culminando com Rocky Balboa, que estréia nessa sexta. A impressão final é que, se Rocky fosse um gráfico, seria uma daquelas parábolas que começam no alto, despencam e depois ressurgem.



Rocky - um lutador (Rocky, 1976) – pode parecer um absurdo, mas o primeiro Rocky é realmente um filme bom: não bom-cretino, bom-curioso, bom-certinho, bom mesmo! Tanto que faturou o Oscar de melhor longa em 77. O início da saga do boxeador é vista com ceticismo e sem heroísmo, o que serve de base para um Stallone completamente cativante e divertido no papel de um dos maiores trogloditas do cinema (isso sem falar no elenco de apoio, que capricha na xucrice). Diferente dos outros quatro filmes da série original, o primeiro é muito mais ligado a uma questão de superação pessoal do que a dois homens se socando. 5/5 folhinhas.

Rocky II – a revanche (Rocky II, 1979) – apesar do título forçado em português, o segundo Rocky começa muito bem, colocando dinheiro no bolso do grandão e vendo como aquele homem sem cultura nenhuma lida com a ascenção a fama. Os problemas de Rocky II começam na segunda parte, quando o roteiro dá uma inserida aqui e ali de melodrama e força um pouquinho a barra; 3/5 folhinhas.

Rocky III (Rocky III, 1982) – agora que Rocky já está rico e feliz da vida, resta ao roteiro apenas surgir com oponentes fortes desconhecidos até então. É assim que surge Clubber Lang, o vilão mal-encarado e brutal que irá atormentar Rocky nesse filme. Daí por diante é treino, superação, vontade de jogar tudo pro alto, um chorinho aqui e outro ali. Enfim, Rocky III é só um filme comum. Mas pelo menos nos deu o clássico Eye of the tiger, música-tema obrigatória quando se fala de boxe. 3/5 folhinhas.

Rocky IV – o desafio supremo (Rocky IV, 1985) – com senso de humor, dá para considerar o quarto Rocky o mais divertido da série, tamanha a quantidade de absurdos, furos do roteiros e inserções de como o capitalismo é bom e a União Soviética é um lugar de bandidos cruéis. No pior filme de todos, Rocky é posto para lutar contra o malvado Ivan Drago, num super duelo entre Ocidente e Oriente, repetindo aí a falta de inspiração do terceiro filme em apenas fazer surgir um inimigo forte (com o adicional de ter pitadas mal-intencionadas e propagandistas). 2/5 folhinhas.

Rocky V (Rocky V, 1990) – o que me faz considerar Rocky V um filme minimamente aceitável é o fato dele se levar um pouquinho a sério e perceber que, com mais de 40 anos, o Garanhão Italiano precisava se aposentar. Junta-se a isso um golpe de procurador que some com toda a fortuna do lutador e o que se tem é um Rocky que precisava começar do zero e, assim, arranja um pupilo. Marcado pelos conflitos familiares – o que até dá para aguentar, já que o núcleo de Rocky sempre foi bom em todos os filmes – a conclusão apela para a boa e velha falta de civilidade, que embora seja irracional, empolga quem já tinha visto quatro filmes antes. 2/5 folhinhas.

Rocky Balboa (Rocky Balboa, 2006) – assisti ao sexto Rocky outra vez, depois de ver os cinco primeiros, e o resultado foi ainda melhor. Há várias referências ao primeiro filme, que só confirmam o espírito de lembrança e resgate do passado e da dignidade deste último filme. Stallone está de parabéns, por fazer um Rocky decente, inteligente, divertido e acima de tudo comovente. Vida longa ao Garanhão Italiano. 4/5 folhinhas.

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