Loira, morena, ruiva, mulata

Apesar de não beber, meu senso de humor me permite achar os comerciais de cerveja divertidos. Porém, o meu senso crítico não consegue deixar certas coisas em paz.

Muda a pele de vovó, mas o lobo sempre conta a mesma história aos homens: beba, que você se diverte e possivelmente transa com alguém, que eventualmente também terá bebido, pensando na mesma coisa. A associação mulher-bebida é tão franca que eu não dúvido que logo irá surgir uma propaganda em que o indíviduo abra a moça e a beba, ou seja, são obras de arte machistas. E se um anúncio consegue disfarçar isso, colocando uma musiquinha, um bichinho ou um revés masculino que seja, não é porque essa cerveja tenha mais ou menos moral, mas uma questão de bons marqueteiros. O lado sórdido da bebida – aquele que a gente também conhece, dos tiozões de bar com as barrigas saltando da calça ou dos bêbados que vem pedir uns trocos – nunca vai aparecer na tv, o que é natural e lógico. Mas cada mulher seminua a mais aponta para uma rota no mínimo grotesca: a aposta num instinto de animal no cio, não na vontade do consumidor.

Um comentário:

Strange Little Girl disse...

A bebida é assim mesmo, tem vários lados. Ao mesmo tempo que você vê engravatados felizes rindo e bebendo seu chopp caro em um restaurante alemão você vê bêbados caídos pela rua, sem mais dinheiro, saúde e família. As propagandas de cerveja chegam a ser cruéis, pois são divulgadas para todas as pessoas. Quem garante que o telespectador não vai cair nessa, achar que a felicidade está no álcool e se viciar? Eu bebo sim, não vou ser hipócrita, mas acredito que essas propagandas não deveriam ser permitidas. São muitos pré-adolescentes vulneráveis que assistem a tudo isso.

Beijinhos