Sobre literatura

Na minha posição de estudante de Letras – de uma faculdade muito boa, diga-se – é muito fácil falar sobre literatura: o que eu gosto é bom, porque eu entendo do assunto e sei do que estou falando, e o que os outros gostam não é, porque não tem noção nenhuma na hora de falar. Mas eu gosto de ir por outro caminho.

Ao invés de ser um fanático e árduo defensor do cânone, eu prefiro enxergar a coisa de outra forma: existe uma leitura para cada tempo e proposta. Como leitor, eu digo mesmo que acho o Paulo Coelho um autor fraco e que o Código da Vinci é um livro construído de um jeito horroroso, mas não significa que eles não devem ser lidos por ninguém. Como leituras mais fáceis, na maior parte das vezes são eles quem colocam as pessoas dentro do mundo dos livros – e isso vale para tantos outros que são tão fáceis de meter na cruz, como Harry Potter, os livros de auto-ajuda, literatura policial, por aí.

Hoje eu estava limpando o armário de livros da minha casa e encontrei o primeiro que eu li, um romance infantil chamado Gafanhotos em Taquara-Poca. Não me atrevi a tentar ler ele outra vez, porque sei que ia ser difícil me encantar de novo. O que ele tem de importante, porém, foi ter me colocado nos trilhos da leitura, e dali por diante vieram os livros da coleção Vagalume (isso, aquela do Escaravelho do Diabo, esse mesmo), os Harry Potter, as crônicas do Luís Fernando Veríssimo e hoje eu encaro uma pá de leituras diferentes, que vão desde as insanidades de um Douglas Adams até a elegância de um Italo Calvino.

O problema, para mim, não é ler o Código da Vinci, mas parar nele. Quem pode ter acesso a leitura tem mais é que progredir: se as incríveis revelações do Dr. Langdom sobre a verdadeira história de Maria Madalena abriram a sua cabeça, acredite, no caminho muitos livros serão capazes de fazer a mesma coisa – e, cá entre nós, revelar coisas bem mais interessantes.

3 comentários:

Ariadne Celinne disse...

Isso, isso. Não dá para rejeitar as leituras fáceis, elas fazem bem também. É literatura. Eu tenho um problema com professores, a maioria sempre me fala q eu deveria me concentrar nos clássicos e parar com meus best sellers. ¬¬ Poxa, dá para conciliar, dá para conciliar. E convenhamos, Harry potter, é Harry potter.
*e eu sei que tudo tem limite, esses dias eu estava achando Luís Fernando Veríssimo chato, acredite.

gabriela disse...

O bom das leituras fáceis é que elas são ótimos subterfúgios para quando se quer apenas ler para se distrair. O problema é que elas podem viciar. E aí fica difícil migrar para alguma coisa de mais "conteúdo" :P
Li todos os livros do Dan Brown (só para poder criticar o conjunto da obra - sim, todos são ruins mesmo). E não abro mão de ler um Harry Potter por ano! Mas também não deixo de procurar leituras mais "densas", como Umberto Eco (dizem que "O Pêndulo de Foucault" seria o "Código da Vinci" para pessoas mais cultas, já que também aborda a questão dos templários :P hehe) ou autores mais clássicos como Italo Calvino, entre outros.
Viva a diversidade na literatura! \o/

Strange Little Girl disse...

Nada como ler uma boa porcaria de vez enquando. Um desses livros do Dan Brown, por exemplo. As letras são grandes, o vocabulário é mínimo e a história é rápida. Você lê em um dia! Ainda é melhor que passar a tarde assistindo ao Faustão. Eu me sinto um pouco mal por isso, mas já estou me tornando especializada em livros "ameba".

Era mais fácil encontrar os bons na época de colégio, com a professora de literatura indicando o que tinha de melhor. Hoje faço Farmácia, imagine, não sei nem por onde começar a procurar essas coisas. É, eis aí minha frustração... deixar de aprender Humanas.

A propósito, onde vc faz Letras? Tô lendo que vc migra entre Araraquara e Taubaté. Faz Unesp? Eu faço USP. Jesus! Que hospício é aquilo. Às vezes me pergunto porque não faço moda ou gastronomia.

Sim, eu não gosto de coisas melosas. Me esforço ao máximo para não deixar os textos grudentos demais. Ainda assim não gosto deles, tenho uma falta de criatividade que irrita!

Pode colocar o link sim. Eu também vou colocar no meu, ok?

Ah... vc tem uma fórmula mágica pra me fazer gostar daquele O Jardineiro Fiel? O seu filmaço não conseguiu tocar o meu coraçãozinho, não sei porque... talvez porque envolva empresas farmacêuticas, assunto que não me é muito atrativo. Vou ver o filme de novo. Me perdi com tantos flashbacks. Já não sabia mais quem era quem no final.

Bjos