RAMOS, Graciliano. São Bernardo

Tenho certeza que fiz a leitura errada de São Bernando, do tio Graciliano Ramos - embora tenha guardado para prova toda aquela história de reificação do mundo, deus e o diabo, etc - e talvez por isso tenha até me divertido em algumas passagens do livro.

Porque o Paulo Honório - o protagonista - é um dos ápices do brucutu na literatura: grosso, mal-educado, sacana e bruto como o chão. Para quem gosta de citações, eu guardei uma que adoraria colocar de epigrafe num trabalho: "se ele não mudar de idéia, pego um pau e quebro a costela dele". Não é um doce de pessoa?

Lógico, São Bernardo vai muito além disso, tanto que até eu que sou meio tonto consigo sentir a obssessão pela posse que o protagonista sustenta, crua e calculada, que vê o mundo como uma grande cifra, cheia de pequenas variáveis que precisam render o melhor. E tudo movido a muita coação, para deixar Paulo Honório sem oponentes no ranking da grosseria. Para ler e rir assustado.

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