Rocky Balboa

Rocky Balboa (2006). Dir: Sylvester Stallone. Com Sylvester Stallone, Burt Young, Milo Ventimiglia. 102min.

O que me faz gostar da série Rocky é, acima de tudo, o seu lado trash. Isso explica porque os episódios III e IV (Ivan Drago, gente, I-van-dra-go) me divertem tanto quando eu assisto – em contrapartida, nunca me dei ao trabalho de ver o primeiro filme inteiro (supostamente o melhor) nem o segundo, a não ser as lutas contra Apolo; e, como bom fã, abomino Rocky V, aquela coisa sem sal. Por causa de tudo isso, eu me decepcionei com Rocky Balboa, o sexto, porque é honestamente um bom filme.

O que torna Rocky Balboa um filme digno é que ele tomou a franquia a sério ao mesmo tempo em que não tomou: por um lado, Sylvester percebeu o quão ridículo seria um Rocky com 60 anos que saísse ganhando de qualquer um como se não existisse tempo, e inseriu uma série de conflitos pessoais no grandão, desde as lamúrias da velhice até a perda de Adrien, a esposa do lutador. Por outro lado, quando o roteiro começa a ficar muito dramático, e os olhos esticados de Sly ameaçam desatar em choro, surge a figura escrachada de Paulie e quebra com tudo. Mais da metade do filme é dedicado a cabeça de Rocky, o que até que não é um desperdício (com direito a acordes tristes da música-tema).

A outra metade, entretanto, reserva aquilo que faz de Rocky Balboa um prato cheio para os fãs: treinamento e muito soco – e dá-lhe cenas clássicas de Rocky subindo a escada, batendo em carnes, usando agasalho cinza – e numa cena, Ivan Drago é até citado! A luta final vale o ingresso – especialmente porque é a primeira sobre a qual a gente não consegue adivinhar o resultado; aliás, o resultado não poderia ser melhor. Rocky – e por tabela, Stallone – provam que são realmente bons e que aprenderam com a velhice.

(ps: só espero que nenhum dos dois se empolgue e aconteça um Rocky VII; se bem que eu não recusaria um filme trash… já pensou se eles trazem de volta o Ivan Drago? Ah, eu pago para ver no cinema!)



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