A Hora da Estrela

Li A hora da estrela, da tia Clarice, de uma tacada só na viagem de ida para minha casa - e cheguei a conclusão que quando eu tiver 70 anos talvez entenda aquele livro completamente - ou não entenda mais nada.

As palavras são simples, mas a estrutura é deliciosamente complicada: no fundo, é um livro para ser sorvido e assistido, não meramente lido - e os vícios de leitura que nós criamos (enredo, enredo, ler falas, pular descrições) atrapalham bastante na hora de acompanhar o fiapo de vida de Macabéa. Mas ainda que eu preste atenção a cada palavra, talvez nunca entenda o sentido de todas elas, depende do ser humano que eu serei, acho.

Nesta altura do campeonato, pelo menos, Hora da estrela me entreteu e me assombrou bastante - ainda que as argumentações sobre si que Rodrigo S.M. (a Clarice fingida) me chateiem; isso só aconteceu, porque o que me fascinava mesmo eram os momentos em que a autora usa das mesmas ferramentas para pintar a vida de Macabéa e dar seus juízos sobre o mundo - aqueles dolorosas e sedutores. Acho que vou me propor a ler o romance uma vez por ano - e usar de termometro pra ver o quão ser humano eu tendo andado - porque eu ainda vou ter muita vida e viagem de onibus.

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