Calvino

Calvino foi o cara que me introduziu na literatura italiana, e eu não tenho outra forma de agradecer a ele por isso senão com uma admiração quase cega, mas justa. Tudo começou com Marcovaldo, uma coletânea de contos sobre o personagem-título, um homem com um nostalgia inexplicável de uma vida pastoril que ele nunca teve, mergulhado no avanço do concreto pela Itália - tudo isso numa narrativa fluida, divertida ao extremo, que parece querer só te agradar, mas no fundo está ensinando uma porção de coisas.

Foi graças a Calvino que eu pude conhecer outro italiano, Carlo Levi, autor do meu livro preferido atual, Cristo si è fermato a Eboli, autobiografia do seu tempo de confinado na Itália do fascismo. E agora, eu me encontro com Calvino novamente, na narrativa fantástica Il Barone rampante (O barão nas árvores, como ficou em português), um daqueles livros que me enche de dó ter que terminar. A trama fala sobre um menino nobre do período da revolução francesa, que sobe nas árvores de casa para nunca mais descer, rompendo com a família - e aqui está toda a mágica do autor, que faz de uma história boa de ler uma grande metáfora sobre o papel do intelectual na sociedade. Sabem aquele mito de "aprender brincando"? Virou realidade, dentro do fantástico de Calvino.

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