A princesa e o sapo

The princess and the frog (2009). Dir: Ron Clements. Com as vozes originais de Anika Noni Rose, Bruno Campos, Keith Davids, Jennifer Cody. 97 min.

Uma coisa que geralmente se ouve de artistas é que o público mais difícil de todos de se agradar é o infantil. A criançada, que não tem a menor preocupação social em ser agradável, fala que está chato se estiver chato e dá risada se achar engraçado. Assim, se o grupo de crianças que estava na mesma sessão que você aplaude o filme no final, pode ter certeza de que fizeram um bom trabalho.

A princesa e o sapo marca a volta da Disney a produção de animações tradicionais em 2D, em oposição ao 3D que qualquer um consegue fazer num computador doméstico hoje em dia. Na história, somos apresentados a Tiana, a primeira princesa negra da Disney, que sonha continuar o desejo do pai em abrir um restaurante na Nova Orleans do começo do século. A vida dela não anda muito boa, até o dia em que encontra um sapo que diz que precisa de um beijo para voltar a ser príncipe. Imaginando que ali estariam as soluções do seu problema, Tiana aceita o acordo. Problema é que ela acaba virando outro sapo.

As animações de Princesas da Disney – Branca de Neve, Cinderella, Bela Adormecida, Bela e a Fera, Pequena Sereia, Mulan – seguem todas a mesma cartilha, que funciona muito bem desde a década de 40: a princesa em busca do amor, o príncipe encantado, o vilão invejoso e os personagens secundários engraçados. A princesa e o sapo tem tudo isso: a princesa Tiana ganha qualquer um com seu carisma, enquanto o Príncipe Naveen banca o conquistador barato de bom coração. Para completar, o quadro de amigos de Tiana é ótimo, desde o crocodilo que quer tocar na banda de jazz, passando pelo vagalume que se apaixona por uma estrela (e protagoniza a cena mais bonita do filme), e principalmente Charlotte, a amiga mimada, que rouba todas as cenas com a sua histeria.

Se de um lado, os elementos consagrados estão todos lá, por outro A princesa e o sapo é a animação da Disney que mais se comporta como uma comédia romântica, com o casal que se odeia e se apaixona depois, com todos os desencontros finais. Já os vilões deixam um pouco a desejar, não pelos personagens em si, mas pelo desenvolvimento que tem na trama. Facilier, o mago voodoo que transforma Naveen em sapo, aparece menos do que deveria, e seu final é razoavelmente mau explicado.

E eu sei que nem precisava dizer isso, mas a animação é de cair o queixo, enquanto a trilha sonora é divertida, mas não chega a encantar e ficar na memória como o que a Disney já fez um dia. Fim das contas, A princesa e o Sapo não é uma obra-prima do nível de Rei Leão, nem tem a complexidade temática dos filmes da Pixar, mas é uma volta muito bem-vinda da Disney para a animação tradicional. A criançada da minha sessão não me deixa mentir.


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